BE: Cavaco e direita querem manter PS "atrelado" ao acordo com a 'troika'

O Bloco de Esquerda diz que o comunicado do Conselho de Estado de terça-feira revela "uma clara tentativa" do Presidente da República e da "direita que governa" manterem o PS "atrelado" ao acordo da ajuda externa.

No final de uma reunião de seis horas, o Conselho de Estado apelou na terça-feira, através de um comunicado, a todas as forças políticas e sociais para que impere um "espírito de diálogo construtivo" capaz de assegurar os interesses que melhor sirvam os interesses do país.

Na mesma nota é ainda destacado que os conselheiros de Estado reconheceram que "a salvaguarda do superior interesse nacional assenta no cumprimento das exigentes metas que o Estado português subscreveu" e sublinharam a importância dos portugueses congregarem "esforços e vontades" e terem uma "atitude de cooperação e solidariedade".

Para o deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda (BE), este comunicado é uma "clara tentativa do Presidente da República de manter o PS atrelado ao acordo com a 'troika' [da ajuda externa]".

"Quando o comunicado do Conselho de Estado fala em grande consenso nacional é isso que pretende. A direita que governa pretende que o PS continue refém do acordo que fez com a 'troika'", sublinhou João Semedo, que ressalvou que provavelmente "nem todos os conselheiro terão expresso a mesma opinião", mas que esta foi "seguramente a opinião dominante" e é também a do Presidente da República.

"Aliás, basta ver a composição do Conselho de Estado para isso não nos surpreender", afirmou.

O BE destaca ainda outro ponto do comunicado do Conselho de Estado: a "insistência" no cumprimento do acordo para a assistência financeira e, especificamente, do pagamento da dívida pública nos prazos que ficaram estabelecidos nesse entendimento.

"Tudo tem mostrado que isso é impossível. O caminho que Portugal devia seguir é o da renegociação da dívida, antecipada por uma auditoria à divida", afirmou João Semedo.

Por fim, o deputado classificou a referência do Conselho de Estado à necessidade de crescimento económico como "absolutamente contraditória com a política que tem sido seguida e que está no memorando da 'troika'".

"Essa política de austeridade, de redução de salários, de corte de subsídios, de aumento de impostos, nomeadamente do IVA e, em concreto, na restauração, tem um efeito demolidor na nossa economia nacional", considerou.

"O que se pretende é impossível porque não se pode cumprir o acordo com a 'troika' e ao mesmo tempo promover crescimento económico", sublinhou, insistindo em que "esta ideia é uma imbecilidade".

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