BE acusa 'troika' de "inflexibilidade" e de se "auto-absolver"

O deputado do Bloco de Esquerda Luís Fazenda sublinhou hoje o "tom de inflexibilidade" por parte dos representantes da 'troika', que hoje se reuniram com os partidos, no parlamento, considerando que há "uma espécie de auto absolvição".

Fazenda disse aos jornalistas, após o encontro, que os elementos da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) consideram que "o que está a correr menos bem no programa [português] não tem a ver com o programa que a 'troika' estabeleceu (...) mas tem a ver apenas com a recessão", acrescentando que "há uma espécie de auto absolvição da 'troika'".

Relativamente à possibilidade de reestruturar a dívida portuguesa, que o BE defende, Luís Fazenda disse que "a 'troika' foi claríssima: não pode haver reestruturação da dívida, não deve haver, porque isso prejudicaria muito a situação da banca".

Para o deputado bloquista, os representantes da 'troika' em Portugal continuam a manifestar uma "enorme preocupação com a sustentabilidade da banca e com a capacidade de acesso da banca aos mercados".

Já sobre a possibilidade de dilatar as maturidades dos empréstimos concedidos a Portugal, Luís Fazendo disse que foram feitas "referências vagas" e que "a 'troika' optou pelo silêncio, não respondeu".

"Estamos a falar com uma realidade que não só se mostrou inflexível, como é verdadeiramente pétrea, não se move nada", afirmou Fazenda, acrescentando que "as negociações intercalares do programa de ajustamento passam completamente ao lado" do debate dos membros da 'troika' com os partidos, que o deputado bloquista diz ser apenas um "reconhecimento formal" do parlamento e dos seus eleitos.

Uma delegação da 'troika' está em Portugal para a sétima revisão do programa de assistência financeira ao país, numa altura em que se debate a possibilidade de o país ter mais um ano para cumprir a meta do défice.

Há duas semanas, o ministro das Finanças afirmou, no parlamento, que a revisão em baixa das projeções económicas terá implicações no ajustamento previsto para os próximos anos, pelo que "é razoável conjeturar" que Bruxelas dê mais um ano a Portugal para corrigir o défice excessivo.

Hoje, os ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) chegaram a um acordo de princípio com vista à extensão dos prazos para pagamento dos empréstimos solicitada por Portugal e Irlanda, no quadro dos programas de assistência financeira.

Os 27 concordaram em solicitar à 'troika' que avance agora com uma proposta com as melhores opções possíveis para cada um dos dois países, tanto para os empréstimos concedidos ao abrigo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) como do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF), de acordo com uma declaração dos ministros das Finanças da UE.

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