BE acusa Governo de querer usar fundos para despedir

O líder bloquista, João Semedo, acusou hoje o primeiro-ministro de pretender usar fundos comunitários para despedimentos na administração pública, com Passos a responder que utilizará "os meios necessários" para reformar o Estado "ao nível do que o país precisa".

Durante o debate preparatório do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, o novo coordenador bloquista abordou o tema da reforma do Estado para acusar o executivo de "já nem esconder" os cortes que quer fazer na educação, saúde e proteção social e de querer usar os fundos europeus para despedir "milhares de trabalhadores".

"Isto é inaceitável", considerou João Semedo.

Na resposta, o chefe do Governo, Pedro Passos Coelho não se referiu diretamente à questão dos despedimentos, mas frisou que utilizará "os meios que forem necessários para produzir uma reforma do Estado ao nível do que o país hoje precisa".

"Não podemos deixar de aplicar recursos no que pode ser importante para alavancar os fatores de crescimento na economia para os próximos anos", acrescentou.

"Nós queremos também fazer a reforma do Estado e não apenas para poupar dinheiro, embora isso seja muito importante, não deixaremos de apresentar medidas que totalizem pelo menos os 4 mil milhões de euros que nos comprometemos a fazer, de modo a dar sustentabilidade às políticas públicas. Mas este debate está para além disso", assinalou.

Passos Coelho referiu depois que "aquilo que é eficiente para os cidadãos e moderno para um Estado que quer defender os direitos sociais e dos contribuintes, de hoje e do futuro, tem sempre consequências muito mais abrangentes" do as que o Governo procura com o exercício que tem de apresentar em fevereiro.

"O Estado se não cria riqueza diretamente pode contribuir muito de forma indireta para a criação dessa riqueza, basta ver o impacto que as políticas de transformação estrutural podem trazer ao crescimento dentro da Europa e de Portugal, utilizaremos esses recursos da melhor maneira", concluiu.

Antes, o líder do BE deixou ainda críticas à 'troika' a propósito da sexta avaliação: "Mais uma vez o que verificamos é que quanto pior está o país, mais positiva é a avaliação feita pela 'troika'.

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