Basílio Horta diz que Santos Pereira "vai passar a ser ministro do desemprego"

O deputado socialista Basílio Horta defendeu hoje que as políticas de contracção económica farão de Álvaro Santos Pereira um "ministro do desemprego" ou o "velho ministro de abastecimento e preços" em vez de responsável por uma economia internacionalizada.

"Como a prioridade do Governo não é a retoma económica, como a prioridade do Governo é aumentar impostos e cortar salários e viver no momento permanente de contracção, obviamente que o senhor ministro deixa de ser ministro do Emprego para passar a ser ministro do desemprego", acusou Basílio Horta.

Numa interpelação ao Governo no Parlamento, por iniciativa do BE, o deputado socialista insistiu na ideia segundo a qual há "uma ausência de Economia" no Governo, lembrando que o empresário e presidente do conselho nacional do CDS, António Pires de Lima, afirmou que o ministro Economia "é um problema" para este Governo.

Basílio Horta comparou as opções do Governo à "experiência chilena dos anos 80", em cortes salariais e aumento de impostos queriam meter os chilenos "na ordem", mas culminaram em "desemprego em quase 30 por cento" e "construção de uma sociedade para poucos e de um Estado para poucos".

O PS insistiu que "a consolidação orçamental se deve fazer simultaneamente com a retoma do crescimento", sob pena de Álvaro Santos Pereira chegar a "2013 com poucas empresas e poucas famílias".

"Por este caminho vossa excelência será o velho ministro de abastecimento e preços ou o secretário de estado do Comércio Interno, agora ministro da Economia, de uma economia internacionalizada, isso é que o vossa excelência não será, com grave prejuízo para a economia portuguesa", acusou.

O ministro da Economia e do Emprego respondeu que se hoje pode ser chamado de ministro do desemprego é devido ao "legado" do Governo socialista.

"A maior taxa de desemprego dos últimos 100 anos foi registada na altura do seu Governo e que este Governo herdou. Foi o pesado legado que nos foi deixado: taxas de emigração novamente significativas e desemprego elevado", argumentou.

Por outro lado, Álvaro Santos Pereira afirmou que o Executivo não acredita na "receita mágica do investimento público, na fantasia das parcerias público privadas, que serviram para cobrir défices e que serviram para alimentar sonhos de projectos megalómanos com rentabilidade duvidosa que levaram as empresas e o estado português para os maiores níveis de endividamento dos últimos 150 anos".

O deputado Jorge Machado acusou, por outro lado, o Governo de, ao permitir o aumento de meia hora diária no horário de trabalho, entregar sete mil milhões de euros "ao patronato de graça".

Para o PCP, está em causa uma "conquista histórica dos trabalhadores portugueses", lembrando que os últimos a conquistar as oito horas de trabalho diárias foram os trabalhadores rurais, nos anos 1960, em plena "ditadura fascista".

No mesmo sentido, o deputado de "Os Verdes" José Luís Ferreira acusou Álvaro Santos Pereira de só pensar no patronato.

"Há mais pessoas para alem dos patrões", disse.

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