Basílio Horta acusa Governo de "não ter feito nada" para manter Nissan

O atual deputado do PS e antigo presidente da AICEP, Basílio Horta, criticou hoje o ministro da Economia por "não ter feito nada" para manter o investimento da Nissan na fábrica de baterias em Aveiro.

Álvaro Santos Pereira, que está ser ouvido na comissão parlamentar de Economia a pedido do PS por causa da suspensão da fábrica da Nissan, foi acusado por Basílio Horta de nada ter feito para dar continuidade "a um contrato que estava a ser negociado", questionando se o abandono da empresa japonesa teria a ver com "a descontinuidade da política da mobilidade elétrica" feita por este Governo.

Basílio Horta, que enquanto presidente da AICEP esteve nas negociações do projeto da Nissan, disse que "este investimento demorou dois anos a negociar", e que, "depois de longas negociações, conseguiu-se que a Nissan viesse para Portugal com base de um 'cluster' de carro elétrico".

O agora deputado do Partido Socialista adiantou que a Nissan "tinha vindo para Portugal porque o Governo português deu prioridade à mobilidade elétrica".

O deputado do PSD Pedro Saraiva considerou a audição em causa "um 'fait-diver' alimentado pelo Partido Socialista", acusando o anterior Governo, liderado por José Sócrates, de ter o pior desempenho em 2010 em termos de captação de investimento estrangeiro líquido, citando dados do Eurostat.

"Segundo o Eurostat, Portugal está em queda no investimento estrangeiro desde 2000, quando atingiu um pico. Em 2010, Portugal teve o pior desempenho da União Europeia", afirmou.

A audição de Álvaro Santos Pereira pretende obter esclarecimentos sobre a suspensão do investimento previsto pela Nissan para a construção de uma fábrica de produção de baterias em Cacia, Aveiro.

O porta-voz da Nissan, António Pereira-Joaquim, afirmou à Lusa a 12 de dezembro que a administração da aliança Renault-Nissan tinha decido "suspender a fábrica de baterias elétricas em Portugal porque, após análise detalhada do plano de negócios, chegou à conclusão que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes para os objetivos".

A fábrica de baterias da Nissan representaria um investimento de 156 milhões de euros e a criação de 200 postos de trabalho.

A unidade portuguesa iria produzir 50 mil baterias de iões de lítio por ano, numa área de 20 mil metros quadrados, e forneceria o 'motor' para os carros elétricos da aliança Renault-Nissan com uma autonomia de 160 quilómetros.

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