Basílio Horta acha relevante ideia de rutura democrática

O deputado socialista Basílio Horta considera "muito relevante" a ideia da "rutura democrática" levantada pelo líder parlamentar do PS no discurso do 25 de Abril, considerando que é preciso agora dar-lhe "conteúdo" sem abandonar "o princípio da responsabilidade".

"Em termos políticos, o discurso do Carlos Zorrinho [na sessão solene do 25 de Abril] foi muito importante, porque pela primeira vez usou uma expressão que foi 'rutura democrática'. Eu acho que isso é muito relevante e tem de se lhe dar conteúdo, ou seja, o Partido Socialista, sem abandonar o princípio da responsabilidade própria de um partido de Governo do arco europeu, diz que pode haver uma rutura democrática", disse Basílio Horta, que é deputado independente, em declarações à Lusa.

Para o deputado, esta ideia da rutura democrática "significa que o Partido Socialista está atento a esta governação, já não tanto até nos métodos e nos efeitos, mas no programa ideológico que ela comporta, e predispõe-se a representar eleitoralmente não apenas as pessoas que são prejudicadas injustamente com esta governação, mas também as pessoas e os eleitores que não querem a destruição do Estado Social, que querem que o Estado Social possa ser suportado e que querem introduzir na despesa pública a consolidação necessária, a austeridade necessária, mas para que esse dinheiro seja aplicado em melhor saúde, em garantir as reformas".

"Portanto, o PS, mantendo a responsabilidade e não deixando de apreciar os efeitos da governação e o método, vai mais longe, predispõe-se a fazer uma rutura com este modelo ideológico que nos tem governado e isso é, creio, muito importante e muito relevante", enfatizou o ex-presidente da AICEP e você-presidente da bancada socialista.

Basílio Horta considerou que essa rutura se traduzirá, concretamente, em "dizer aos eleitores que esta governação é liberal, das mais liberais que a Europa alguma vez viu, radicalmente liberal, e que, portanto, o PS não comunga desta visão global, embora em algum momento tenha de viabilizar algumas medidas", dados os compromissos assumidos no âmbito da assistência financeira internacional.

"E, por outro lado, há medidas que, independentemente do modelo ideológico, são importantes para a estabilidade económica e social do país e aí é o tal princípio da responsabilidade", acrescentou, sublinhando que "o PS poderia até ganhar alguns votos com uma posição diferente, mas predispõe-se, e tem-no feito, a viabilizar alguns aspetos porque põe o país primeiro, e isso é bem feito".

Para Basílio Horta, trata-se assim de uma "rutura de discurso e de postura", de que resulta "uma análise das medidas tomadas já não pelo seu valor nominal mas por aquilo que visam construir ou destruir", dando como exemplo o caso da OPA da Cimpor.

"Quando se diz que o importante é vender, além de ser errado, representa uma grande frieza perante os pequenos acionistas, perante os trabalhadores e a própria economia portuguesa", afirmou, considerando que a atitude do Governo neste caso "é puramente liberal" já que considera que "desde que o dinheiro entre para abater as necessidades de financiamento da Caixa, tudo é bom".

"Não há esta sensibilidade que nós temos de ter e temos de assumir", resumiu.

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