Barómetro: António Costa pela primeira vez atrás de Seguro

Costa teve arranque fulgurante como secretário-geral mas as estimativas de voto no PS já estão abaixo das do seu antecessor.

A perspetiva de uma derrota eleitoral para a coligação PAF não é o único amargo de boca para António Costa no barómetro feito pelo Centro de Estudos e Sondagens e Opinião (Cesop) da Universidade Católica para DN, JN, RTP e Antena 1. É que os 32% de estimativa de resultados eleitorais do PS representam também a primeira vez, desde que lidera o partido, que Costa tem um desempenho nestas sondagens pior do que o do seu antecessor no cargo de secretário-geral, António José Seguro.

Em abril de 2014, semanas após as eleições europeias ganhas pelo PS com 31,46% dos votos, Seguro fez a sua "despedida" deste barómetro com uma estimativa de 36% nos resultados eleitorais. A 12 de julho, já candidato às primárias do partido, Costa fez uma afirmação que ficaria como marca registada da luta pela liderança do PS: "Eu sei que muitas vezes se diz que por um se ganha e por um se perde. É verdade, no futebol é assim. Na política não é assim. É que a diferença faz muita diferença, na política. É que quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho. E o que nós temos de fazer não é poucochinho. O que nós temos de fazer é uma grande mudança", afirmou.

Dois meses e meio depois, a 12 de setembro, António Costa ganhou a António José Seguro as primárias do partido. E não foi por "poucochinho". Contabilizou 67,71% dos votos, contra 31,59% do até então secretário-geral.

À época - como demonstrou a elevada adesão dos militantes à votação - imperava a crença de que quem ganhasse as primárias socialistas estaria também perto do cargo de primeiro ministro de Portugal. E o barómetro Cesop de outubro desse ano praticamente transformou essa expectativa em convicção: o PS de Costa chegou aos 45%, à beira da maioria absoluta, relegando os partidos do atual governo para os 32%.

Desde então, no entanto, António Costa deverá andar a perguntar-se sobre o que sucedeu à mensagem que parecia estar a transmitir tão bem aos portugueses e aos próprios militantes do seu partido. A 15 de junho, o barómetro mostrava, pela primeira vez desde setembro de 2012, um empate técnico, já com uma ligeira vantagem de PSD e CDS (38% contra 37%). E de então para cá, enquanto a PAF conseguiu manter o terreno - embora também sem tirar retorno direto da campanha -, o PS passou a ver como improvável a vitória que parecia certa alguns meses atrás.

FICHA TÉCNICA

Esta sondagem foi realizada pela CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP entre os dias 26 e 29 de setembro de 2015. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente residentes em Portugal continental em lares com telefones fixos. Foram obtidos 1070 inquéritos válidos, sendo 57% dos inquiridos mulheres, 31% da região Norte, 27% do Centro, 38% de Lisboa, 2% do Alentejo e 3% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no continente por sexo, escalões etários e região na base de dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 57%. A margem de erro máximo associada a uma amostra aleatória de 1070 indivíduos é de 3% com um nível de confiança de 95%.

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