Banco de Portugal deveria dar o exemplo e cortar subsídios

Marcelo Rebelo de Sousa disse sexta-feira à noite que o Banco de Portugal deveria dar o exemplo e ser solidário com os sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses.

Carlos Costa "é um governador muito competente e isento, mas há aqui um desgaste desnecessário para ele e para a instituição, perante uma opinião pública que tem dificuldade em perceber como é que o Banco de Portugal, que é público por natureza, não acompanha o esforço público", defendeu.

"Tenho dificuldade em perceber como é que um homem tão sensível politicamente não tenha percebido o desgaste político para ele e para o Banco de Portugal no debate em torno dos subsídios de férias e de Natal", acrescentou o professor universitário.

À margem de uma iniciativa que juntou em Leiria Marcelo Rebelo de Sousa e o humorista Ricardo Araújo Pereira, o comentador político enfatizou o facto de vivermos num "país que não é rico" e que "está em crise".

Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu o mérito de Carlos Costa, "que chegou há pouco tempo" à instituição "decidido a cortar regalias" que eram desconhecidas da esmagadora maioria dos portugueses.

Enquanto entidade pública com autonomia, o regulador do setor bancário já tinha anunciado esta semana a manutenção do pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos colaboradores no ativo, comprometendo-se em contrapartida a reduzir os custos com pessoal em 2012.

O conselho de administração do Banco de Portugal afirmou então que decidiu "manter o pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos colaboradores no ativo", respeitando assim as convenções coletivas de trabalho.

Este anúncio levou a que o PSD apelasse à entidade liderada por Carlos Costa para que aplique os cortes previstos no Orçamento do Estado para 2012 para todo o setor público e para os pensionistas.

"Apelamos ao Banco de Portugal para que se junte a esse esforço que os funcionários públicos e que os pensionistas portugueses vão ter de fazer para ajudar o país a sair da situação em que está em 2012, independentemente de qualquer enquadramento legal que permita isso", declarou Luís Menezes aos jornalistas, no Parlamento.

O CDS-PP, parceiro de coligação do PSD, também já tinha reagido a esta manutenção dos subsídios do Banco de Portugal, tendo dirigido na quarta-feira um requerimento ao governador em que pedia que a instituição esclareça se vai ou não "participar no esforço de consolidação orçamental".

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