"Austeridade pode ser exercício de autodestruição sem medidas pró-crescimento"

Martin Schulz defende, em declarações ao DN, maior integração europeia, com união ban-cária, fiscal e "eurobonds"

Martin Schulz considera importante que países em crise, como Portugal, completem as suas reformas, mas avisa que a austeridade só por si não é suficiente para responder ao problema. "Pode ser um exercício de autodestruição se não for acompanhada de medidas pró-crescimento. É extremamente difícil cortar o défice orçamental e os níveis de dívida pública se a economia está a encolher", avisa, em declarações feitas ao DN, por e-mail, o presidente do Parlamento Europeu, que está a fazer a sua primeira visita oficial a Portugal. Para hoje, tem encontros marcados com o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o Presidente da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Membro do SPD alemão, partido que faz oposição a Angela Merkel, Schulz considera que o pior já passou e há uma luz ao fundo do túnel, pois o euro não acabou e Portugal e a Zona Euro estão a restaurar a confiança dos mercados financeiros. Mas, adverte, ao mesmo tempo "a crise deixou claro que a integração europeia deve ser aprofundada, não podemos ter uma moeda única e depois ter 17 governos que não remam para o mesmo lado. A Zona Euro e os outros países que no futuro querem adotar a moeda devem dar passos no sentido de uma maior integração económica, criando primeiro uma união bancária e passando depois para uma união fiscal. Juntos podemos ultrapassar os problemas, mas separados estamos condenados a perder."

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Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.