Arnaut denuncia "voracidade privatizadora" do Governo

O socialista António Arnaut exortou hoje o PS a combater a "voracidade privatizadora do Governo", frisando que cabe ao Estado manter "um setor público produtivo" como estabelece a Constituição da República Portuguesa (CRP).

"Estou convencido que algumas privatizações são mesmo inconstitucionais", já que, à luz da CRP, "tem de haver em Portugal um setor público produtivo", disse António Arnaut à agência Lusa, a propósito de uma homenagem que hoje lhe é prestada pelo PS de Coimbra.

Este fundador do Partido Socialista disse que "o Governo não pode privatizar tudo, como quer, a Águas de Portugal, a TAP e outras empresas do setor público, pois isso é inconstitucional", nem "as empresas que prestam um serviço público de comunicação social, como a RTP e a Lusa".

"Apelo ao PS para se opor a esta voracidade privatizadora do Governo. A 'troika' não pode revogar as normas constitucionais do nosso país", sublinhou.

O partido que ajudou a fundar, em 1973, "tem de lutar contra a espoliação das pessoas por via dos impostos e de outras medidas restritivas que estão a ser impostas ao povo português", acrescentou.

Atualmente, em Portugal, como na Europa, os partidos socialistas "devem empenhar-se na realização efetiva dos direitos sociais, como a educação, a saúde, a cultura e o trabalho", com vista "a um encurtamento das injustiças e a uma redução das desigualdades", disse.

"Tudo o que se fizer hoje nesse sentido é cumprir o Estado Social e o socialismo", defendeu o antigo ministro dos Assuntos Sociais e principal impulsionador do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

É necessário "premiar o mérito e o trabalho" de cada cidadão, mas, na sua opinião, "só é livre quem tiver acesso aos direitos sociais e o PS não pode transigir" face às políticas do Governo de Pedro Passos Coelho que visam "destruir o Estado Social".

Importa ainda "evitar que a riqueza de uns continue a fazer-se à custa da pobreza dos outros", adiantou.

Nos "momentos difíceis que o país atravessa", a homenagem ao militante número 4 do PS "é justa e oportuna", disse à Lusa o presidente da Federação de Coimbra do partido, Pedro Coimbra, realçando que "a identidade e as referências" nacionais devem ser preservadas.

Para Pedro Coimbra, António Arnaut "marca e marcou aquilo que de melhor têm o país e os portugueses", sobretudo "pela luta que continuar a travar" em defesa do SNS.

A homenagem decorre esta tarde no auditório do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, estando previsto encerrar, às 19:00, com intervenções do presidente da Federação de Coimbra do PS, Pedro Coimbra, e do secretário nacional do partido, Álvaro Beleza.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG