António Costa só é candidato a Lisboa

Foi um verdadeiro golpe de teatro, encenado por fontes próximas do autarca de Lisboa, que deram como certa a candidatura a secretário-geral do PS. Mas Costa deixou o Rato a apelar à unidade

[notícia alterada às 05.00 com o desmentido do avanço de António Costa para a liderança do PS]

Ao fim de seis horas de reunião da Comissão Política, tudo acabou como começou: António José Seguro é o secretário-geral do PS, recandidato ao cargo no próximo congresso eletivo, "a ter lugar o mais depressa possível"; António Costa mostrou-se disponível para ser o candidato por Lisboa à autarquia, mas não avançou para disputar o lugar do atual líder, ao contrário de notícias insistentes ao longo da tarde e noite, alimentadas por fontes próximas do autarca.

À saída, depois de lá dentro ter falado uma vez a desafiar Seguro a "unir o partido", o presidente da Câmara de Lisboa deixou claro que Seguro "foi recetivo" à sua proposta. "Acho que vamos poder trabalhar nos próximos dias para poder tentar construir uma alternativa forte, que fortaleça o PS nas candidaturas autárquicas e que permita unir o partido, evitando uma confrontação que, neste momento, a todos os títulos era indesejável", afirmou aos jornalistas.

Mas Costa mantém algumas dúvidas sobre o seu futuro: "É bom que [a unidade] possa acontecer. Vamos ver nos próximos dias", apontou, sem concretizar a proposta que fez ao líder, nem que prazos estabelece para si próprio para desfazer de vez o tabu.

Por sua vez, Seguro saiu do Rato com uma declaração onde afirmou a sua satisfação pelos trabalhos da noite. "A Comissão Política do Partido Socialista esteve à altura das suas responsabilidades, ao colocar em primeiro lugar os portugueses", disse.

Para anunciar logo de seguida que o "congresso será o mais breve possível", para "reforçar a alternativa ao Governo". Este conclave será marcado na reunião da Comissão Nacional do partido a 10 de fevereiro, em Coimbra, atirando para abril o referido Congresso.

O secretário-geral do PS rematou dizendo da sua "satisfação" pela recandidatura de António Costa a Lisboa. O DN apurou que Seguro, no final da reunião, se dirigiu ao autarca selando o encontro com um cumprimento e um abraço.

A reunião que se iniciou cerca das 21.30 terminaria já para lá das 3.30, com os rostos dos dirigentes socialistas a revelarem muito do que se passou no interior da sede. Com ar de poucos amigos, José Lello e Renato Sampaio - que tinham questionado publicamente a liderança de Seguro, esperando que Costa respondesse à "clarificação" pedida pela direção socialista - limitaram-se a deixar para o autarca lisboeta qualquer comunicação aos jornalistas.

Uma notícia da Lusa - que o DN também manteve online e que esta notícia substituiu - lançaria ainda a confusão durante a reunião, por antecipar uma segunda intervenção de António Costa, que nunca aconteceu. Citando fontes próximas do autarca, essa mesma notícia avançava que Costa dizia ser "impossível um entendimento" com Seguro, pelo que anunciaria logo a seguir a candidatura à liderança ao PS.

O presidente da Câmara de Lisboa não quis explicar aos jornalistas o que se terá passado e se chegou a equacionar uma nova intervenção, mas a publicação da notícia irritou Seguro, que confrontou Costa com a mesma. O autarca refutou a autoria do artigo.

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