António Costa não exclui ambições futuras no PS

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, afirmou hoje que não vê razões para provocar uma alteração na liderança do PS, considerando que esse não é motivo para excluir ambições futuras no partido.

"O PS tem um líder em funções e eu não vejo razões para tomar a iniciativa de provocar uma alteração na liderança do PS. Mas para a resposta a isto não pode ser exigido que eu diga que nunca, em circunstância alguma, assumirei a liderança do PS", disse o dirigente socialista esta noite, numa entrevista ao programa 'A Propósito', do canal SIC Notícias.

Admitindo que considerou disputar a liderança com António José Seguro no início do ano, António Costa disse que "foi muito manifesto que o PS não desejava qualquer confrontação da liderança nessa altura", pela proximidade de eleições autárquicas e pela mobilização na organização das listas aos órgãos locais.

Por outro lado, o autarca recordou que disse ao secretário-geral do partido, em plena Comissão Política Nacional, que "ou havia um conjunto de condições que era possível reunir para unificar o partido" ou que se "sentia na obrigação de avançar para a liderança".

Hoje, considerou, as condições estão satisfeitas e existe "outro clima e postura" no PS.

No entanto, António Costa disse não se sentir incapacitado, nem pressionado, para exercer outras funções.

"Tenho 52 anos. Vejo muitas vezes as pessoas a falarem como se soubessem alguma coisa da minha vida. Felizmente não tenho qualquer problema de saúde, tenho capacidade e vontade para trabalhar muitos e bons anos, não tenho de andar aqui em correria ou a atropelar os outros", disse.

Considerando que disputas internas passadas prejudicaram o partido, o presidente da Câmara de Lisboa defendeu a estabilidade entre socialistas.

"Não vou recolher assinaturas para provocar um congresso extraordinário. Não é a forma que eu tenho de estar na política, nem no PS", excluiu.

Reeleito presidente da Câmara de Lisboa no domingo, António Costa assegurou que terá "imenso prazer em exercer até ao último dia" o mandato, mas negou "assumir uma resposta que não ressalve circunstâncias excecionais em que outra decisão seja tomada".

Por outro lado, António Costa considerou "desagradável" que se especule sobre o seu futuro de cada vez que fala da vida política nacional, nomeadamente depois de ter afirmado que da leitura dos números das autárquicas "não resulta o PS como uma alternativa clara e imediata".

Sobre o que falta fazer então ao PS, o dirigente respondeu que há um caminho a percorrer: "As pessoas sentem que o país está num impasse e que temos de o romper. Do meu ponto de vista só se reequacionarmos o problema do país".

Quanto a eleições legislativas antecipadas, António Costa disse que "desejavelmente os mandatos deviam ser cumpridos", mas considerou que "o Governo não é reformável por si próprio", sem excluir a hipótese de que "o PSD e o CDS-PP encontrem energias próprias, internamente, para encontrar soluções que reformem isto".

Por outro lado, o socialista considerou que o Presidente de República, Cavaco Silva, teve condições (até à crise política do início do verão) para "pelo menos forçar o PSD a propor uma outra solução governativa que tivesse outra capacidade de diálogo com o PS e exigir ao PS uma outra capacidade de diálogo com outro governo do PSD", lamentando a degradação do grau de relacionamento na vida política.

O autarca considerou ainda que "o PS com o atual Governo não tem condições de novos compromissos".

Depois de ter recusado, no discurso que proferiu nas celebrações da implementação da República, que a crise seja resolvida com a "secundarização da democracia", António Costa admitiu um "problema democrático", quando se entende que perante "um afrontamento continuado à Constituição da República a solução é mudá-la e não corrigir os comportamentos".

Sobre outro dos temas do dia, o pedido de desculpa do ministro dos Negócios Estrangeiros a Angola, o socialista disse que as declarações de Rui Machete foram "absolutamente lamentáveis e incompreensíveis".