Angola disponível para aumentar apoio financeiro à CPLP

O representante angolano Francisco Engoge assumiu hoje, em Lisboa, no final da reunião de pontos focais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que o seu país está disponível para aumentar fatia financeira destinada à cooperação.

Questionado sobre a disponibilidade de Angola -- que detém a presidência em exercício da CPLP -- para aumentar a fatia financeira para a cooperação (liderada pelo Brasil e por Portugal), Francisco Engoge realçou que Luanda "está disponível a participar naquilo que é o esforço comunitário".

"Estamos abertos e disponíveis", assegurou, acrescentando porém que um eventual aumento da prestação financeira faz-se "dentro de um quadro negocial, quando se vai aprovar ou discutir os projetos de cooperação".

Na conferência de imprensa final, o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, reconheceu "a extraordinária surpresa de ver a reunião dos pontos focais preocupada com a questão de emissão do carbono e [com] a capacidade de transformar as (...) reuniões [da CPLP] em reuniões verdes".

Esta "preocupação ambiental", acredita Simões Pereira, vai dar à CPLP "uma outra projeção (...) e uma outra responsabilização face aos compromissos globais".

Saíram da reunião "bastante satisfeitos e animados" com o programa que irá preencher a agenda dos trabalhos até à cimeira de Maputo, agendada para julho, disse ainda.

Na mesma conferência de imprensa, Manuel Lapão, diretor de Cooperação da CPLP, adiantou que foi aprovada na reunião "uma estratégia de segurança alimentar e nutricional", que será desenvolvida na cimeira de Maputo, agendada para julho deste ano, e que conta com o apoio da FAO (agência da ONU para a alimentação).

A abordagem a este tema, adiantou o responsável, evoluiu "de um patamar em que as discussões eram muito, ou eminentemente, políticas, para um patamar muito prático, com aplicação de projetos concretos, em benefício dos Estados-membros".

Na recém-inaugurada sede da CPLP, o coordenador dos trabalhos, o angolano Francisco Engoge, referiu, por seu lado, que foram aprovados "projetos e ações pontuais que vão marcar uma viragem naquilo que é o objetivo" da organização.

Como exemplo, Manuel Lapão destacou o projeto "CPLP nas Escolas", destinado a jovens dos 12 anos 15 anos, que visa "encetar entre eles trocas eletrónica sobre a realidade de cada um dos países".

"Felizmente, grande parte dos projetos e ações já tem cabimentação financeira, o que vai possibilitar a sua implementação", realçou Francisco Engoge.

Ao nível da organização interna, os intervenientes no encontro concluíram pela necessidade de uma melhor estruturação, ainda que esta tenha evoluído "positivamente" ao longo dos anos. "Cada Estado-membro deve aprimorar a organização do ponto focal interno, porque só assim poderemos ter bons resultados quando nos encontrarmos todos", referiu o coordenador.

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