"Amo Camões, Vieira e Pessoa: sinto-me europeu"

Falo, leio, escrevo e sinto-me europeu. Bebo vinho, benzo-me, como pão e sinto-me europeu. Guio distâncias sem fim de Valença a Vigo, de Irún a Bayonne, de Estrasburgo a Kehl e sinto-me europeu. Oiço música, invoco direitos, faço revoluções e sinto-me europeu. Aprendo línguas, fundo universidades, lanço contas e sinto-me europeu.

Desfolho epopeias, discurso na ágora, pelejo na arena e sinto-me europeu. Invado civilizações, deixo baptizar-me, reinvento a moeda e sinto-me europeu. Sofro a peste, crio o burgo, cobro juros e sinto-me europeu. Volto aos clássicos, descubro os mares, naufrago na escravatura e sinto-me europeu. Liberto a ciência, arrisco a máquina, especulo e filosofo e sinto-me europeu. Combato a tirania, adivinho a democracia, aceno à liberdade e sinto-me europeu. Morro pela vida, diferencio pela igualdade, guerreio pela paz e sinto-me europeu.

Amo Camões, Vieira e Pessoa, sinto-me europeu.

Troco os "v's" pelos "b's": sou europeu.

Esta personalidade faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema "Portugal europeu - e agora?"

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