Alegre olha para o Reino Unido e avisa: "A vida está difícil para os socialistas"

Histórico do PS diz que a "tentação centrista" é suicidária para os socialistas e pede ao seu partido "reflexão enquanto é tempo". O centro, diz, limita-se a seguir "dinâmicas de vitória"

Manuel Alegre viu o resultado das eleições no Reino Unido (ver páginas 6, 7 e 8) com preocupação e daí nasceu um "apelo à reflexão"no seu partido.

Olhando para o crescimento do Partido Conservador de David Cameron (que passou a ter maioria absoluta na Câmara dos Comuns) e para a perda de influência do Partido Trabalhista (232 deputados eleitos, menos 26 do que em 2010), o histórico do PS constata que "a vida está difícil para os socialistas".

Segundo acrescenta, estão "a pagar a fatura por tentar vencer ao centro". "Faço um apelo à reflexão, enquanto é tempo. Que o PS compreenda que a porta é estreita mas que a diferença que tem de afirmar não se faz ao centro."

O problema - explica - é que "o centrismo não tem autonomia política", "mobiliza-se apenas por dinâmicas de vitória". E "a direita assume a sua ideologia e as suas causas e vai ao combate e arrasta o centro" para o seu lado. Dito de outra forma: para os socialistas, tentar infletir o seu discurso em direção ao centro é uma "tentação fatal". "O centrismo conduz os socialistas à derrota." Mas há espaço para discursos de esquerda socialista, e nas eleições no Reino Unido a prova disso foi, na sua análise, o resultado do Partido Nacionalista Escocês, fortemente defensor, por exemplo, da manutenção de um Estado social forte.

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