Alegre "indignado" com crítica de Rangel a "vírus socialista"

Histórico do PS ataca cabeça de lista do PSD/CDS por este ter usado expressão que "é ofensa à democracia". E recordou que "há dezenas de anos houve um partido na Europa que disse que os judeus eram um vírus".

Manuel Alegre arrancou o seu discurso sem meias palavras, ao falar esta segunda-feira à noite na sala cheia do Pavilhão Centro Portugal, em Coimbra, atacando o cabeça de lista da Aliança Portugal (PSD/CDS).

"Vim para Coimbra muito indignado", avisou logo no início. "Ouvi Paulo Rangel, que está agora mais magro, mas quanto mais magro, mais agressivo" lançar o "alerta aos portugueses contra o vírus socialista", disse. "Isto é uma ofensa, uma ofensa à democracia", classificou, para logo dizer que o n.º 1 da lista de direita "revelou um espírito inquisitorial".

O histórico socialista recuou na história europeia, ao lembrar que "há dezenas de anos houve um partido na Europa que disse que os judeus eram um vírus que era preciso exterminar. O PS não é um vírus, é um grande partido da democracia e da tolerância", apontou, referindo-se à perseguição do partido nazi alemão nos anos 1930 e 1940, para refutar a expressão usada por Paulo Rangel - que revela uma "grande ignorância histórica". O candidato social-democrata afirmou no domingo que a Aliança Portugal é uma "vacina" contra o "vírus socialista".

Francisco Assis, que de manhã, na Figueira da Foz, tinha dito que queria uma discussão política com "substância" e não "entre vírus e bactérias", acabou também por pegar nas palavras de Alegre para dizer que o que disse Rangel "é inaceitável". "A partir de hoje, Paulo Rangel deve uma explicação ao PS e aos portugueses", acrescentou ainda o cabeça de lista socialista, por "estar a revelar uma certa indignidade".

Manuel Alegre, que não esconde ser adepto do Benfica, retomou muitos dos tópicos da sua intervenção na Convenção Novo Rumo, de sábado, para acabar a apontar (numa "linguagem futebolística") que os socialistas vão "vencer as legislativas e dar-lhes uma abada nas legislativas".

Já no final do comício, António José Seguro (que elogiou "o apoio crítico" de Manuel Alegre, "um apoio muito exigente") criticou o Governo por, nos 100 capítulos do seu programa de 2011, "não ter uma linha sobre Europa". "O Governo e os seus candidatos, a única coisa que sabem é ir à Europa perguntar à sra. Merkel, tomam nota e executam em Portugal."

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