Agricultores marcham do Príncipe Real para o Parlamento

Algumas dezenas de agricultores concentravam-se hoje pelas 14:40 no Príncipe Real, em Lisboa, para uma manifestação contra a proposta de Lei dos Baldios e as novas imposições fiscais para os pequenos e médios agricultores.

No Príncipe Real, ouviam-se palavras de ordem e os manifestantes empunhavam cartazes, onde podia ler-se frases como "mais fome mais miséria".

Numa espécie de galinheiro ambulante estão fotografias de políticos como o primeiro-ministro, o Presidente da República, com a legenda: "culpados pela miséria da lavoura e sofrimento das populações durienses".

Antes de a manifestação rumar ao parlamento, onde terminará, o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Alfredo Campos, referiu à agência Lusa esperar entre quatro a cinco mil manifestantes, que irão contestar as novas imposições fiscais "que levarão à ruína de muitas dezenas de milhar de explorações agrícolas".

O dirigente lembrou que 2014 é o ano internacional da agricultura familiar, lamentando que o Governo, em vez de avançar com incentivos, esteja a contribuir "para a desertificação do país, por tornar inviável a atividade de muitas famílias na agricultura".

Outros dos problemas que trazem hoje os agricultores à rua são "a especulação em adubos, sementes e combustíveis", assim como a nova reforma da Política Agrícola Comum (PAC).

O mesmo dirigente destacou a presença, no protesto de hoje, de um grupo específico de compartes [pessoas que gerem baldios], para contestarem "a tentativa de roubo dos baldios aos povos".

Alfredo Campos argumentou que por detrás desta proposta de lei estão "os grandes interesses florestais, nomeadamente da celulose".

Junto ao parlamento será lida e votada uma moção intitulada "Na lavra de Abril semear de novo". O texto recorda as leis aprovadas após a revolução de 1974, garantindo que no dia de hoje se protesta e reclama "no uso dos direitos constitucionais saídos do 25 de Abril".

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