Aeroporto. Montenegro quer unidade no PSD e faz Costa esperar

Boa notícia para António Costa: o PSD disposto a negociar o novo aeroporto. Má notícia: mas não tem pressa. Encerrado o congresso do partido, o novo presidente fez-se à estrada.

Luís Montenegro não se arrisca a iniciar com António Costa uma discussão sobre o novo aeroporto de Lisboa sem que no PSD estejam todos a puxar para o mesmo lado. Ciente de que divisões internas de caráter localista minam o seu poder negocial, o novo líder do PSD, agora já em plenitude de funções, quer primeiro articular internamente a posição do partido. O que coloca o primeiro-ministro na lista de espera para a discussão.

Esta segunda-feira, já concluído o congresso do fim de semana que elegeu os órgãos diretivos do partido, Montenegro partiu para a estrada. Primeiro ponto: Pedrógão Grande, o concelho mártir dos incêndios de 2017.

Aqui, interpelado pelos jornalistas, explicou qual será o seu modus operandi face à questão do novo aeroporto (Costa tem reiteradamente afirmado que faz depender uma solução de um "grande acordo nacional" que envolva o PSD).

"Estamos com Governo há sete anos incapaz de resolver esse problema. Não vamos criar a expectativa que ele se vai resolver em sete dias."

"Dentro do PSD não é como dentro do Governo. Nós queremos falar todos a uma só voz. Queremos articular posições, queremos coordenar posições e, portanto, eu tenho de falar com os meus companheiros de partido, com aqueles que me acompanham nos órgãos nacionais e depois, atempadamente, falaremos também com o Governo", afirmou.

Adiantando que não foi contactado para qualquer reunião visando debater o futuro aeroporto do país, o dirigente do PSD explicou que "não ocorreu, nem tem de ocorrer com essa pressa". "Estamos com Governo há sete anos incapaz de resolver esse problema. Não vamos criar a expectativa que ele se vai resolver em sete dias."

"Transmitiremos ao Governo em primeira mão a nossa posição, e também a metodologia e os requisitos que poderemos vir a reputar como fundamentais, essenciais mesmo, para que possa haver um processo de diálogo."

Afirmando que o partido está muito sereno "relativamente àquilo que o país precisa do ponto de vista estratégico", esclareceu ainda que o PSD está a instalar os órgãos nacionais que foram eleitos no domingo, no 40º Congresso do PSD. "E como tive ocasião de dizer no Congresso Nacional do PSD, transmitiremos ao Governo em primeira mão a nossa posição, e também a metodologia e os requisitos que poderemos vir a reputar como fundamentais, essenciais mesmo, para que possa haver um processo de diálogo", explicou.

Mas nem só do novo aeroporto falou o novo líder do PSD.

Estando o país a entrar na época dos incêndios - e temendo-se que este ano a situação possa ser complicada, devido à seca -, Montenegro falou insistentemente dos problemas dos bombeiros.

"Passámos de uma época de pandemia para uma época de pandemónio. Temos hoje, em Portugal, um caos completo no sistema de saúde, que vai desde o enceramento de serviços à falta de profissionais e também à falta injustificada, inadmissível do apoio àqueles que no terreno contribuem, por exemplo, para o transporte de doentes, como é o caso dos bombeiros", disse Montenegro.

Acrescentando: "A dívida que o Ministério da Saúde tem às associações humanitárias de bombeiros é inadmissível, tem de ser paga, porque se não for paga a consequência é que os bombeiros não vão ter condições de prestar o serviço. E não estamos a falar só do serviço de transporte. Por via da prestação desse serviço, cria-se um défice financeiro que faz com que os bombeiros não tenham meios para operações de socorro ainda mais relevantes, como acidentes, como incêndios florestais."

De resto, assegurou que uma das prioridades do partido será a questão da coesão territorial: Temos um problema de coesão territorial muito acentuado no país e é minha intenção, na nossa agenda política, privilegiar e contribuir para que se possam amenizar estas desigualdades."

joao.p.henriques@dn.pt

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