Adeus de Carvalho da Silva com críticas a acordo

O secretário-geral da CGTP despediu-se hoje ao início da tarde de líder da central sindical num longo discurso em que deixou violentas críticas ao acordo de concertação social, à "insensibilidade social" de Cavaco Silva e ao memorando da troika.

Durante quase uma hora, Carvalho da Silva criticou o acordo de concertação social, que definiu como "um novo impulso suicidário" a uma "política de austeridade", a "insensibilidade social" de Cavaco Silva, por causa do tema das reformas, e o memorando da 'troika', que "torna insuportável a vida para milhões de portugueses".

Para Carvalho da Silva, o "âmago" do acordo de concertação social "não é o estímulo da economia, mas o reforço da austeridade. Ele tem a diminuição da retribuição e a desregulamentação do trabalho, um retrocesso social sem precedente depois do 25 de Abril". Resumindo, para o ainda líder da CGTP, "ele é um acrescento de medidas restritivas", que só pode ser rechaçado, verbo usado para Carvalho de Silva deixar uma crítica à UGT. "Nunca uma organização sindical pode sancionar medidas destas."

O sindicalista deixou mais à frente um reparo "à figura triste" que Cavaco Silva fez sobre as suas pensões. Nesta altura, perante os apupos soltos que se ouviram da plateia, Carvalho da Silva saiu do roteiro do seu discurso para dizer que "respeitava a fiunção e a pessoa", mas que o que estava em causa nas palavras do Presidente da República era "falta de perceção sobre a atual situação dos portugueses". E criticou o facto de Cavaco ter optado, "apesar de estar na lei", por receber as suas reformas em vez do vencimento de Presidente, o que "não dignifica" a função.

Com 13 páginas ditas em mangas de camisa, Carvalho da Silva enunciou um balanço da atividade do seu último mandato e apontou direções para os próximos anos de um "trabalho com direitos". Mas o centro da luta estará também na renegociação da dívida, prometeu.

Uma grande ovação acompanhou as palavras finais de despedida do líder dos últimos 25 anos, que saiu do palco para abraçar e beijar a sua filha. Cá fora, antes do almoço, sucederam-se os cumprimentos de muitos a Carvalho da Silva. E uma breve confissão aos jornalistas: "Por mim já tinha saído há oito anos." A justificação foi abafada por mais abraços.

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