Acordo de coligação admite escolha de candidato presidencial antes das legislativas

Nova redação do acordo de coligação entre PSD e CDS estabelece a criação de uma comissão de coordenação da coligação, tal como a que foi criada em 2012. Mas agora fica, desde já, garantida em acordo pré-eleitoral

A nova redação do acordo de coligação, mais detalhada, admite que apoio a um candidato presidencial por parte do PSD e CDS possa ser feito ainda antes das legislativas. Na primeira versão, estava escrito de forma taxativa "depois das legislativas", mas agora a expressão utilizada é "preferencialmente após as legislativas".

Um dos novos pontos do acordo (um upgrade face ao que foi assinado no sábado pelos líderes do PSD, Passos Coelho, e do CDS, Paulo Portas) , indica que "a coligação constituirá órgãos próprios de coordenação política em documento autónomo". Será uma espécie de novo Conselho de Coordenação da Coligação, mas agora fica previamente definido no acordo pré-eleitoral.

O documento submetido aos conselheiros nacionais, que mantém os pontos do último acordo, especifica questões que já seriam do senso comum e da força da lei, como "os deputados de cada partido constituirão um grupo parlamentar autónomo" ou que "as vagas ocorridas são preenchidas pelo candidato imediatamente a seguir do partido pelo qual foi proposto o deputado que deu origem à vaga".

Dadas as divergências entre o PSD e o CDS na Madeira é ainda garantido que "a decisão sobre as matérias relativas às regiões Autónomas dos Açores e Madeira respeitará a autonomia estatutária dos órgãos regionais do PSD e do CDS".

É confirmado no novo documento que "a composição de listas conjuntas obedece (...) ao critério da transposição dos resultados obtidos em cada círculo eleitoral nas legislativas de 2011, atendendo à lei da paridade e promovendo a inclusão de figuras independentes".

O Conselho Nacional terminou poucos minutos depois da meia-noite, tendo o documento sido aprovado por unanimidade.

(ATUALIZADA às 00:10)

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.

Premium

Crónica de Televisão

Cabeças voadoras

Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. Segundo a valiosíssima Encyclopedia of Giants and Humanoids in Myth and Legend, de Theresa Bane, a criatura, conhecida como leák na Indonésia ou penanggalan na Malásia, pode assumir muitas formas - tigre, árvore, motocicleta, rato gigante, pássaro do tamanho de um cavalo -, mas a mais comum é a de uma cabeça separada do corpo, arrastando as tripas na sua esteira, voando pelo ar à procura de presas para se alimentar e rejuvenescer: crianças, adultos vulneráveis, mulheres em trabalho de parto. O sincretismo acidental entre velhos panteísmos, culto dos antepassados e resquícios de religião colonial costuma produzir os melhores folclores (passa-se o mesmo no Haiti). A figura da leák, num processo análogo ao que costuma coordenar os filmes de terror, combina sentimentalismo e pavor, convertendo a ideia de que os vivos precisam dos mortos na ideia de que os mortos precisam dos vivos.

Premium

Fernanda Câncio

O jornalismo como "insinuação" e "teoria da conspiração"

Insinuam, deixam antever, dizem saber mas, ao cabo e ao resto, não dizem o que sabem. (...) As notícias colam títulos com realidades, nomes com casos, numa quase word salad [salada de palavras], pensamentos desorganizados, pontas soltas, em que muito mais do que dizer se sugere, se dá a entender, no fundo, ao cabo e ao resto, que onde há fumo há fogo, que alguma coisa há, que umas realidades e outras estão todas conexas, que é tudo muito grave, que há muito dinheiro envolvido, que é mais do mesmo, que os políticos são corruptos, que os interesses estão todos conexos numa trama invisível e etc., etc., etc."

Premium

João Taborda da Gama

Aceleras

Uma mudança de casa para uma zona rodeada de radares fez que as multas por excesso de velocidade se fossem acumulando, umas atrás das outras, umas em cima das outras; o carro sempre o mesmo, o condutor, presumivelmente eu, dado à morte das sanções estradais. Diz o código, algures, fiquei a saber, que se pode escolher a carta ou o curso. Ou se entrega a carta, quarenta e cinco dias no meu caso, ou se faz um curso sobre velocidade, dois sábados, das nove às cinco, na Prevenção Rodoviária Portuguesa.

Premium

Catarina Carvalho

Querem saber como apoiar os media? Perguntem aos leitores

Não há nenhum negócio que possa funcionar sem que quem o consome lhe dê algum valor. Carros que não andam não são vendidos. Sapatos que deixam entrar água podem enganar os primeiros que os compram mas não terão futuro. Então, o que há de diferente com o jornalismo? Vale a pena perguntar, depois de uma semana em que, em Portugal, o Sindicato dos Jornalistas debateu o financiamento dos media, e, em Espanha, a Associação Internacional dos Editores (Wan-Ifra) debateu o negócio das subscrições eletrónicas.