A questão é ser europeu

Luísa Meireles, redatora principal do 'Expresso', faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema: "Portugal europeu - e agora?"

A questão não é sentir, nem quando, nem se. É ser. Porque eu sou europeia. Sou europeia porque sou portuguesa e com raízes noutras partes do mundo. E isto é o meu chão. Sentir-me europeia? Releva dos sentimentos, das sensações, da ficção, do imaginário, da cultura sempre. Do material, seguramente. Sinto-me europeia quando viajo? Sim, claro, tenho o euro, mas isso não me dá a sensação de ser europeia, apenas de viver aqui. Curiosamente, lê-se nas estatísticas desta mesma Europa que é o euro que dá a identidade europeia à maioria dos europeus, incluindo os portugueses. Mas se viajo na Europa, sinto-me europeia? Nem sempre. A Europa é um lugar de memória, mas nem toda a Europa me faz sentir europeia (e em parte dela sinto-me hoje estranha). Não mais que noutras partes do mundo. Dar um pontapé numa pedra em Roma é dar um pontapé nas raízes da nossa História, tanto quanto olhar para a varanda colonial de uma casa no Recife, ou em Luanda, ou quem sabe em Timor, onde nunca fui. Ou ver uma inesperada réplica de uma nau num parque infantil em Minamishimabara, uma cidadezinha no Japão. É sentir-se português - e ser europeu. É sentir-se - isso sim - universal.

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