A liberdade e a Europa são mestiças

A Europa é tudo, de Felipe II a Auschwitz, de Piero della Francesca ao vinho do Porto e à II Guerra Mundial.

Quando ouço Felipe II, rei de Espanha e de Portugal, filho do imperador Carlos V do Sacro Império Romano Germânico e de Isabel de Portugal, casado três vezes com uma rainha inglesa, uma princesa portuguesa e uma princesa francesa, cantar, na Ópera Don Carlo, de Verdi, sobre libreto de Joseph de Méry e de Camille de Locle e drama original de Friedrich Schiller, a área na qual prevê ser enterrado sozinho no Escorial, sei que estou na Europa. Quando, na Polónia, visito Auschwitz, campo de concentração construído por alemães, no qual foram assassinados alguns milhões de polacos, russos, romenos, judeus, alemães, ciganos, húngaros, ucranianos, comunistas, socialistas, testemunhas de Jeová, homossexuais e outros, sei que estou na Europa. Quando visito uma aldeia perdida na Toscânia chamada Borgo di Sansepolcro e deparo, no Museo Cívico, com a Ressurreição, de Piero della Francesca, sei que estou na Europa. Quando passeio pela Normandia e visito uns tantos cemitérios da segunda guerra mundial onde estão enterrados mil polacos, 15 mil britânicos, cinco mil canadianos, 16 mil americanos e 42 mil alemães, sei que estou na Europa. Quando me passeio entre os bardos de vinhas do Douro, que produzem um dos grandes vinhos do mundo, dito do Porto, feito por lavradores portugueses, trabalhadores galegos, comerciantes escoceses e transportadores holandeses e ingleses e bebido por toda a gente, sobretudo franceses, sei que estou na Europa.

Personalidade que faz parte da conferência "Portugal europeu - e agora?", a organizar pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, dias 13 e 14 de setembro.

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