"A Europa tem de ter capacidade militar e de defesa"

"Há a percepção de que a Europa está em declínio em relação a potências emergentes do mundo, havendo uma tendência isolacionista", diz João Marques de Almeida, professro universitário, analisando a relação de Portugal no Mundo na conferência "Portugal Europeu. E agora?", que decorre hoje no liceu Pedro Nunes, em Lisboa, organizada Fundação Manuel dos Santos.

O especialista em política externa europeia alerta para três perigos europeus. O primeiro, o cinismo, "pela incapacidade da Europa de se transformar e tornar-se indiferente aos conflitos sobre valores que consideramos importantes". "Não se pode ser indiferente ao que acontece nos outros países sem que isso tenha como consequência de sermos indiferentes ao que se passa na Europa", continua.

Outro perigo, "a Europa "tornar-se uma ilha vegetariana rodeada de carnívoros", disse João Marques de Almeida, sobre a posição da Europa nos conflitos armados, lembrando as correntes anti-militaristas, e os objetivos de paz que levaram à criação da Europa. "A Europa tem de ter capacidade militar e de defesa. Nada nos diz que a Europa vai viver em paz no século XXI", dizendo que defende "uma forte relação transatlântica nas mãos de outros".

Um terceiro perigo elencado pelo professor universitário tem a ver com a necessidade de ter uma política externa. "Uma cosia que nunca devemos fazer é a comparar as nossas parcerias estratégicas com os países emergentes, como a China ou a Rússia, com os Estados Unidos". "São diferentes", frisa.

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