80 independentes ganham terreno na disputa autárquica

Movimentos de cidadãos aumentam 35% face a 2009. Vários independentes saíram dos partidos devido a guerras internas.

As lutas internas nos partidos, o descontentamento com a classe política ou a consciência do direito de exercício de cidadania estão, à partida, na origem do aumento de candidaturas independentes, quer autónomas quer apoiadas por movimentos de cidadãos, às eleições autárquicas de 29 de setembro.

Alguns desses movimentos são pontuais, outros começam a ganhar consistência. Desde 1976 era possível cidadãos independentes candidatarem-se mas exclusivamente às assembleias de freguesia. Com a lei de 2001 foi possível estender essa pretensão a todos os órgãos autárquicos, ganhando força e significado a partir das eleições de 2009 em que se registaram 54 candidaturas independentes às câmaras municipais, tendo conquistado sete presidências, designadamente dos concelhos de Alandroal, Amares, Estremoz, Gondomar, Oeiras, Redondo e Sines.

Estas histórias de sucesso tiveram origem em discordâncias internas nos partidos, acabando por tornar-se numa tendência, dada a subida do número de organizações que foram surgindo, ao ponto de, este ano, totalizarem cerca 80 movimentos (o prazo de entrega terminou ontem e ainda não se conhece o resultado oficial). Uma inflação na ordem dos 35% face a 2009.

O número de candidaturas de 2013 tem, apesar de tudo, uma origem mais diversificada. Há ainda muitas candidaturas decorrentes das lutas estabelecidas no seio partidário, como em Portalegre onde a presidente Adelaide Teixeira avança como independente porque o PSD escolheu para candidato, em seu detrimento, o médico Jaime Azedo ou, ainda, o exemplo de Sintra, em que o número dois de Fernando Seara, Marco Almeida, se candidata como independente tendo António Capucho como candidato à Assembleia Municipal.

Há também a situação de Grândola, em que as lutas do PS local e regional originaram duas candidaturas independentes, bem como em Matosinhos, cujo figurino anterior protagonizado por Narciso de Miranda (Matosinhos) volta a repetir-se com os socialistas Guilherme Pinto, atual presidente, contra António Parada.

Mas há movimentos independentes que têm vindo a consolidar-se, dando este ano suporte a algumas candidaturas, entre eles, Sines (SIM - Sines Interessa Mais) e Alandroal ou ainda em Santa Cruz na Madeira, o movimento Juntos pelo Povo (JPP) que parte da gestão de uma freguesia à conquista da câmara do concelho. Em 2009, por exemplo, Mértola (MIM - Movimento Independente de Mértola) obteve mais 6,5%, ou seja, mais do que PSD, tendo o PS ganho a autarquia com Jorge Rosa que volta a candidatar-se.

Para uma visão das candidaturas independentes no País, em 2013, um registo aproximado da sua distribuição releva que Santarém é o distrito com mais candidaturas independentes em número de onze. Segue-se o Porto com nove, Évora com sete candidaturas, o mesmo número de Braga. O distrito de Faro apresenta seis candidaturas, posição igual ao distrito de Lisboa. Continuando, o distrito de Aveiro conta com cinco candidaturas, igual a Leiria. Em Setúbal e Castelo Branco surgem quatro movimentos, tal como na Madeira, sendo que três desses candidatos nascem de dentro do PSD/M, como alternativa aos nomes escolhidos por João Jardim. Apenas Viseu apresenta candidaturas exclusivamente partidárias.

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