A ex-ministra da Administração Interna Maria Lúcia Amaral justificou a sua demissão do cargo admitindo que "não tinha mais condições pessoais e políticas" para a função.Em declarações no podcast Ponto de Interrogação, na RTP Antena 1, nesta terça-feira, 9 de junho, a antiga governante falou publicamente sobre o tema pela primeira vez desde que apresentou a demissão, no dia 10 de fevereiro, altura em que estava há apenas oito meses à frente do MAI e durante os trabalhos de resposta aos danos causados pelo comboio de tempestados do iníco do ano, especialmente a depressão Kristin, que devastou o centro do país.Maria Lúcia Amaral admitiu que tanto as tempestades quanto os incêndios florestais durante o verão de 2025 foram ocorrências com as quais não conseguiu lidar."Naquele mesmo momento de reação pública à minha atuação aquando da tempestade, eu senti, na sequência do que ja tinha sucedido no verão um mês depois de eu iniciar funções. Foram dois acontecimentos que me escaparam, digamos assim, na dimensão total do termo, pela sua contingência, pela sua imprevisibilidade, pela sua dimensão", afirmou a ex-ministra. Segundo Maria Lúcia Amaral, aquele "era o momento de concretizar o que já tinha dito" ao primeiro-ministro. "Que na altura em que sentisse que não dispunha de meios, e nestes casos os meios são autoridade própria para poder conduzir a política do MAI, que me viria embora, e foi nessa altura que entendi que tal ocorria".A ex-governante admitiu que a falta de "autoridade" esteve relacionada com a sua capacidade de liderança na resposta à tempestade. "Há uma diferença entre autoridade e poder. O poder é a capacidade que se tem para moldar os comportamentos dos outros e para se fazer odebecer. A autoridade é a capacidade natural para se fazer obedecer pela adesão dos outros", explicou.A ex-ministra reconhece que, ao assumir o cargo, julgou que estava habilitada para o que define como uma "primeira dimensão" do que é "fazer política", que é "identificar os problemas que existem, procurar serenamente para eles a resposta razoável e possível, de acordo com o caminho e com a visão das coisas que se tem e que foi sufragada em voto popular, na convicção profunda de que tal serve ao chamado bem comum".No entanto, na análise de Maria Lúcia Amaral, "outra coisa é ter a capacidade para reagir imediatamente ao contigente, ao imprevisível, ao nao pensável". Durante as tempestades, "eu tive a noção de que não tinha meios, em toda a dimensão da palavra, os conhecimentos técnicos, o domínio do terreno, o conhecimento exato das pessoas, das corporações, até a sua ínfima particularidade, que estão no terreno, para reagir imediatamente, com a velocidade que se requeria, ao contigente, ao imprevisível", completou.Para a ex-ministra, a crise que se deu naquele momento, com a escolha do seu sucessor, foi melhor do que o Governo "continuar com um ministro da Administração Interna naquele contexto, sem autoridade nenhuma"..Autarcas criticam ministro por "querer passar culpas" sobre atrasos nos apoios à reconstrução de casas.Tempestades: Fundação Jerónimo Martins investe 20 milhões na recuperação de Leiria, Marinha Grande e Ourém