UGT. Orçamento é "miserabilista e pouco ambicioso"

Secretário-Geral da UGT, Carlos Silva, pergunta a Mário Centeno se "os portugueses não mereciam, após tantos anos de austeridade e sacrifícios, algo mais do que os miseráveis 0,3%?!".

A proposta do Orçamento do Estado para 2020 fica aquém das expectativas, não corresponde às necessidades dos trabalhadores e vai diminuir o poder de compra das pessoas. Esta é a visão do secretário-geral da UGT, Carlos Siva, sobre o documento que foi entregue esta segunda-feira por Mário Centeno na Assembleia da República.

Em declarações à agência Lusa, o sindicalista sublinha que o anunciado aumento de pensões até 0,7% está muito aquém daquilo que seria legítimo esperar: "Não conseguimos entender que o OE não tenha efetivamente um valor para aumentos salariais depois de dez anos ininterruptos sem aumentos salariais para a administração pública".

Por isso, o secretário-geral da UGT considera que o OE2020 "é miserabilista e pouco ambicioso". "Não basta olhar para o Orçamento do ponto de vista macroeconómico. Quem olhar para ele naturalmente que vai perceber que vai ao encontro das expectativas e até das exigências europeias, percebendo-se o controlo do défice, da dívida pública, da tentativa de gerir melhor o Orçamento e apresentar um défice de 0,2, mas a pergunta que se faz é: os portugueses não mereciam, após tantos anos de austeridade e sacrifícios, algo mais do que os miseráveis 0,3%?!", questiona.

"Os portugueses não mereciam, após tantos anos de austeridade e sacrifícios, algo mais do que os miseráveis 0,3%?!"

Para Carlos Silva o OE2020 tem aspetos positivos, mas do ponto de vista do movimento sindical não corresponde às necessidades dos trabalhadores e, portanto, "não tem a aquiescência" da CGTP.

"É mais importante apresentar 0,2 de superavit no Orçamento do que dar uma partilha desse superavit para quem trabalha arduamente, nomeadamente nos serviços públicos", contesta.

Carlos Silva considera também, no que diz respeito ao IRS, que as alterações nas taxas intermédias "até trazem uma penalização, o que significa que o poder de compra dos trabalhadores em vez de aumentar, diminui".

"Este orçamento responde áquilo que são as necessidades que o senhor primeiro-ministro determinou como prioritários, que era a valorização dos salários em Portugal? Não, não responde. Fica muito aquém e o que nós vislumbramos é algumas descidas de IRS só para 2022", concluiu.

A proposta de Orçamento do Estado para 2020 foi apresentada ao final do dia de segunda-feira na Assembleia da República pelo ministro das Finanças, Mário Centeno.No documento prevê-se um excedente orçamental equivalente a 0,2% do PIB, uma taxa de crescimento económico de 1,9% e uma descida da taxa de desemprego para 6,1%.

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