Tancos. PSD pressionado internamente para aprovar inquérito parlamentar

As direções do partido e do grupo parlamentar do PSD mantêm as opções em aberto face à proposta do CDS. Mas há deputados que defendem o voto a favor.

A proposta do CDS para que se realize uma comissão parlamentar de inquérito ao caso de Tancos "tem todo o cabimento", devendo portanto ser aprovada. O argumento foi esta quarta-feira defendido, em declarações à Rádio Renascença, pelo deputado do PSD Marco António Costa, presidente da comissão parlamentar de Defesa e antigo vice-presidente do partido, na direção de Pedro Passos Coelho.

Ao defender o inquérito parlamentar, Marco António Costa - que esclareceu falar a título pessoal - dá objetivamente um passo em frente em relação ao seu partido.

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, e o presidente do partido, Rui Rio, já conversaram, decidindo manter para já as opções em aberto. Ou seja: por ora o PSD não se pronuncia nem a favor nem contra o inquérito - mas uma decisão formal até poderá hoje ser anunciada.

Pelo menos o PS já se comprometeu em votar favoravelmente a proposta do CDS para um inquérito parlamentar

"No dia em que ocorrem desenvolvimentos significativos na investigação, a prioridade deve ser no sentido de ponderar bem se este é o tempo certo para avançar com uma comissão parlamentar de inquérito. Feita essa ponderação, o PSD decidirá", afirmou ontem Fernando Negrão, numa declaração enviada à Lusa.

Seja como for, o projeto do CDS deverá reunir condições para ser aprovado visto que o PS lhe disse que sim. "O CDS-PP acha que deve haver uma comissão de inquérito, pois haverá uma comissão de inquérito", assegurou o líder parlamentar do PS, Carlos César, em entrevista à RTP.

Já o Bloco de Esquerda viu "algum oportunismo político" na proposta do CDS. É uma ideia que "não parece séria" e admitiu que "fazia mais sentido quando o Ministério Público já não tivesse com essa investigação", disse ontem o líder parlamentar dos bloquistas, Pedro Filipe Soares. "Há aparentemente algum oportunismo político da parte do CDS e há acima de tudo muita inconsequência nesta proposta porque sabe o CDS que não é possível a uma comissão de inquérito interferir numa investigação em curso", acrescentou.

CDS defende as demissões do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e do chefe do Exército, gen. Rovisco Duarte

Nuno Magalhães, chefe da bancada do CDS, explicou ontem a proposta do seu partido dizendo ser necessário apurar "responsabilidades políticas" do Governo, a quem acusou de "omissões e contradições".

"Ao Parlamento cabe retirar as consequências políticas de, passados 13 meses, o ministro da Defesa Nacional não ter dado um único esclarecimento claro e notório sobre o que realmente se passou do ponto de vista da atuação política deste governo", disse.

Quanto ao objeto do inquérito, adiantou que lhe cumprirá apurar o que "foi feito ou o que não foi feito e deveria ter sido feito para impedir o furto de material de guerra de um paiol do Estado" e para que "fosse recuperado no mais curto espaço de tempo".

Além disso, acrescentou, devem ser "apuradas responsabilidades internas de eventuais responsáveis pelo Estado" para "garantir que isso não mais suceda". "Nada disso o ministro da Defesa foi capaz de fazer", afirmou.

Para o CDS, nem o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, nem o chefe do Exército, general Rovisco Duarte, têm condições para continuar em funções.

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