Tancos. Azeredo Lopes insurge-se contra "assassinato no espaço público"

O ex-ministro da Defesa é acusado de prevaricação e denegação de justiça, abuso de poder e favorecimento pessoal no inquérito relativo ao furto e recuperação do material de guerra de Tancos. Azeredo Lopes volta a afirmar que está inocente.

O ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes reiterou esta quinta-feira que está "absolutamente inocente" no caso de Tancos, criticou o seu "assassinato no espaço público" e assegurou que exercerá o seu direito de defesa nos tribunais.

Em declaração escrita enviada à Lusa, Azeredo Lopes, acusado de prevaricação e denegação de justiça, abuso de poder e favorecimento pessoal no inquérito relativo ao furto e recuperação do material de guerra de Tancos, considera que diariamente continuam a ser publicadas "efabulações retiradas do processo destinadas a inculcar na opinião pública, de forma bastante primária," a sua alegada responsabilidade naquele caso criminal que corre na Justiça.

"Tenho-me mantido em silêncio, e continuarei em silêncio, porque acredito que a justiça não se confunde com manchetes orientadas para determinados fins - aliás, óbvios e facilmente descortináveis. Não me pesa na consciência nada daquilo de que me acusam, porque sou absolutamente inocente, e não serão estas `notícias´ e outras cortinas de fumo que me farão mudar de atitude", justificou.

Na declaração, Azeredo Lopes lembra que, desde a primeira hora, anteviu que o seu "assassinato no espaço público estava garantido, no tempo e no modo", e que agora exercerá o seu "direito de defesa onde deve ser exercido, nos tribunais."

Esta posição pública do ex-ministro da Defesa surge no dia em que um matutino noticia na sua primeira página que correspondência entre o então diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), Luís Vieira, e Vasco Brazão (porta-voz da PJM à data dos factos) mostra preparativos para manter ex-ministro a par de tudo através de "telefone seguro".

O Ministério Público (MP) considera que o ex-ministro sonegou informação à procuradora-geral da República sobre a recuperação das armas dos paióis de Tancos e quis que Joana Marques Vidal fosse complacente com a situação.

Os autos do processo referem que Azeredo Lopes não deu conhecimento do achamento das armas na Chamusca, a 18 de outubro de 2017 à Procuradoria-Geral da República (PGR) nem à PJ e que a então procuradora-geral da República só teve conhecimento da recuperação do material militar através do comunicado da Polícia Judiciária Militar.

Ministério Público acusou 23 pessoas no caso Tancos

Azeredo Lopes teve conhecimento da encenação e aceitou-a e, segundo os procuradores do processo de Tancos, podia ter-se oposto e participado a irregularidade à PGR e PJ.

O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017. Quatro meses depois, a PJM revelou o aparecimento do material furtado, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

O MP acusou 23 pessoas de terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

Nove dos 23 arguidos são acusados de planear e executar o furto e os restantes 14, entre eles Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

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