Santana na estrada à procura de apoiantes e votos

O Aliança nasceu esta semana. Santana Lopes vai andar pelo país a dar a conhecer o partido que fundou à sociedade civil e a ajudar a montar as estruturas locais da nova força política.

Pedro Santana Lopes ficou "surpreendido" pela rapidez com que o Tribunal Constitucional deu luz verde à constituição do Aliança. " Foi mais uma vez em tempo recorde", diz ao DN, já que esperava que só daqui a mês e meio do Palácio Ratton saísse fumo branco para a constituição do novo partido.

De tal forma que a primeira iniciativa pública do Aliança estava prevista para o final de novembro, mas será agora antecipada para daqui a duas semanas e deverá decorrer no norte do país. Santana não vai perder tempo e já tinha programado lançar-se numa digressão pelo país a dar a conhecer as ideias da nova força política. Instituições sociais são a prioridade.

A par do contacto com a sociedade civil, o ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai conduzir todo o processo de instalação dos órgãos provisórios do partido, que irão funcionar até ao congresso fundador em fevereiro do próximo ano, e as comissões instaladoras distritais.

"Também já começamos a ter muitos contactos das organizações internacionais, das famílias europeias, sobre como nos posicionamos e onde nos poderemos integrar", afirma Santana Lopes ao DN.

Em entrevista ao Sol, o fundador do Aliança garante que se bate para chegar ao governo e ter, pelo menos, 15 deputados. Mas antes das eleições legislativas terá de encontrar a figura certa para encabeçar a lista do novo partido às europeias, já que não será o protagonistas dessas eleições.

Santana insiste ainda na ideia de que não quer ter uma forte adesão de militantes do PSD ou do CDS, mas antes de pessoas que não tiveram até agora grande intervenção política. "Em mil mensagens que recebo, 800, no mínimo, são de pessoas que não são militantes e a esmagadora maioria nunca teve intervenção política. O PSD já é antigo, o CDS também e há pessoas que querem entrar numa coisa que começa de novo", garante.

. "Em mil mensagens que recebo, 800, no mínimo, são de pessoas que não são militantes e a esmagadora maioria nunca teve intervenção política"

A tomada de posições sobre os grandes temas nacionais também já começou. Santana Lopes disse esta semana que votaria contra o Orçamento do Estado para 2019 se tivesse assento parlamentar, devido aos "pecados fiscais".

"À última hora verificou-se um descambar que veio prejudicar uma certa bondade inicial. Bondade e saldo orçamental, conseguidos à custa de inaceitáveis bloqueios nos serviços essenciais, nomeadamente na saúde. Tal realidade, por si mesma, seria motivo para um voto desfavorável", afirma a comissão instaladora da Aliança, em comunicado hoje divulgado.

No texto declara-se que o partido "nunca contribuiria para viabilizar a frente de esquerda, se a maioria falhasse no apoio, mas o sentido de voto (...) tem outras razões, outras distâncias, outras ambições", pois o OE2019 "tornou-se um somatório de ilogicidades, com desígnios eleitoralistas permitidos por cativações ou bloqueios de manifesta insensibilidade social".

"A nossa objeção de fundo está a montante da proposta [OE2019], pois consideramos haver um erro estrutural em que Portugal tem incorrido quanto aos pressupostos e aos objetivos na elaboração do OE. Os partidos que, neste sistema, têm conseguido representação parlamentar, todos eles com maior ou menor acentuação neste ou naquele critério, nesta ou naquela medida, com mais responsabilidade ou eleitoralismo, no fundo, não têm conseguido sair da lógica do modelo em uso", lê-se.

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