Rui Rio diz-se preparado para legislativas antecipadas em 2021

Na moção ao congresso, o recandidato à liderança do PSD ignora as eleições presidenciais, mas diz que a partir de 2021 estará "com condições reforçadas para governar Portugal".

É a última moção ao congresso do PSD a ser conhecida, e que só será divulgada publicamente no próximo dia 7: a de Rui Rio. É muito clara a apontar para a promessa de ter o partido capaz de enfrentar eleições antecipadas a meio da legislatura. "A partir de 2021, o PSD estará em condições reforçadas para governar Portugal". Este remate da moção quase parece uma resposta a Marcelo Rebelo de Sousa, que pediu no seu discurso de Ano Novo, uma oposição "alternativa, forte e eficaz". Promete mesmo reforçar o grupo parlamentar como "principal frente de oposição ao governo". Curiosamente, o recandidato à presidência social-democrata não aborda as eleições que decorrem nesse mesmo ano, as presidenciais.

Em 30 páginas, com "Portugal ao centro", Rui Rio traça uma linha de continuidade com as propostas que defendeu no programa eleitoral das legislativas de 6 de outubro, que deram a vitória ao PS, ainda que sem maioria absoluta. Dos atos eleitorais, dá maior importância e detalhe às autárquicas de 2021 e recupera as perdas de 2013 e 2017 para justificar o que o partido poderá esperar.

"É urgente inverter essa tendência, mas é também indispensável reconhecer que não se ganha em ano e meio o que se perdeu em década e meia", alerta, defendendo uma "recuperação firme e sustentada" e baseada em apoio a recandidaturas vencedoras e boas escolhas nos municípios onde o partido ficou próximo de ganhar.

A moção defende ainda que o PSD deverá estabelecer compromissos eleitorais "com outras forças políticas, movimentos e grupos de cidadãos independentes" que tenham linhas programáticas convergentes.

"É urgente inverter essa tendência, mas é também indispensável reconhecer que não se ganha em ano e meio o que se perdeu em década e meia"

"Estamos certos de que ao estabelecer uma boa dinâmica de trabalho, com espírito de entreajuda e uma boa organização poderemos justificar a ambição de um resultado vitorioso nas próximas eleições autárquicas", refere a moção, garantindo a criação de uma Comissão Autárquica logo após o congresso.

O texto, que desenha a estratégia para um mandato de dois anos, - até ao início de 2022 - nunca se refere às eleições presidenciais de janeiro de 2021, ao contrário das moções dos adversários de Rio, que manifestaram o apoio a uma eventual recandidatura do ex-líder social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa (Luís Montenegro fala em "incondicional apoio" e Miguel Pinto Luz coloca alguns "pressupostos").

Como pilares de uma "estratégia sustentada de vitória", Rio aponta uma nova cultura política, assente na credibilidade e confiança.

"Sendo o PSD o maior partido da oposição exige-se-lhe que assuma uma conduta responsável, colocando os interesses de Portugal acima dos interesses do partido. Portugal primeiro não é um mero slogan", avisa, considerando que "a política espetáculo não pode ter lugar num partido que aspira a governar Portugal".

Fazer do combate à corrupção uma das suas bandeiras, reforçar a marca reformista do PSD, continuar a dinamizar o Conselho Estratégico Nacional e valorizar o grupo parlamentar como principal frente de oposição ao Governo são outros dos pilares apontados na moção de Rio.

"Não queremos um grupo monolítico, mas esperamos de cada deputado a lealdade e empenho para um esforço e convergência em torno das opções políticas e estratégicas que vierem a ser aprovadas no próximo Congresso do PSD", defende a moção.

"Se conseguirmos concretizar com sucesso as linhas estratégicas que acabámos de enunciar, poderemos assumir que a partir de 2021 o PSD estará em condições reforçadas para governar Portugal", defende o texto, embora admitido que "não valerá a pena entrar em exercícios de adivinhação ou em delírios prospetivos quanto ao cumprimento da legislatura do atual Governo".

Defendendo que o mais importante é melhorar as propostas do partido, a moção de Rio às eleições diretas de 11 de janeiro acrescenta outra condição para um resultado ganhador nas próximas legislativas.

"Se à ambição conseguirmos acrescentar uma liderança responsável e mobilizadora, a credibilidade e a confiança indispensáveis ao bom cumprimento dessa missão, então teremos reunidas as condições que nos poderão conduzir à vitória", afirma.

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