Rui Rio acusa Governo de proteger PCP. Francisco Santos fala "em falta de vergonha"

O presidente do PSD acusa o Governo de "proteger o PCP". O dirigente do CDS-PP fala em "falta de vergonha e de respeito pelos portugueses".

O presidente do PSD defendeu este sábado que a lei do estado de emergência "não diz que o congresso" comunista "não pode ser adiado", acusando o Governo de "proteger o PCP" e recusar "tratar todos os portugueses por igual".

Através da sua conta oficial na rede social 'Twitter', o líder social-democrata afirma que a "Lei 44/86, que o Sr. PM invoca para proteger o PCP, não diz que o congresso não pode ser adiado e, muito menos, proíbe o Governo de determinar que ele se tenha de realizar por videoconferência".

"Não o faz porque não quer", prossegue Rui Rio, acusando o executivo de António Costa de não querer "tratar todos os portugueses por igual".

Francisco Rodrigues dos Santos, do CDS-PP, reiterou as críticas à realização do congresso do PCP, falando em "falta de vergonha e de respeito pelos portugueses".

Numa curta nota, o líder centrista escreve que, "segundo António Costa, a lei não permite cancelar o congresso do PCP", mas "permite cancelar deslocações, fechar negócios e confinar as pessoas em sua casa, tudo liberdades infinitamente menos importantes para o país do que um congresso do PCP".

"A atividade política não está suspensa. A falta de vergonha e de respeito pelos portugueses também não", salienta Francisco Rodrigues dos Santos.

O que diz a lei?

O regime do estado de sítio e do estado de emergência estabelece que "as reuniões dos órgãos estatutários dos partidos políticos, sindicatos e associações profissionais não serão em caso algum proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização prévia".

Este sábado, aquando do anúncio das novas restrições, o primeiro-ministro escusou-se a comentar a realização de reuniões de partidos como o congresso do PCP, defendendo que a lei do estado de emergência "é clara e taxativa" ao impedir que sejam proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização.

Numa conferência de imprensa no Palácio da Ajuda, em Lisboa, para anunciar as novas medidas do Conselho de Ministros de combate à covid-19, António Costa foi questionado sobre a realização do congresso do PCP, no próximo fim de semana, em Loures, em pleno estado de emergência.

Mostrando uma folha com a lei do estado de emergência, "de 30 de setembro de 1986, uma lei muito antiga e que se manteve inalterada", o primeiro-ministro considerou que "a lei é clara e taxativa" uma vez que "as reuniões dos órgãos estatutários dos partidos políticos, sindicatos e associações profissionais não serão em caso algum proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização prévia".

Instado a comentar a perceção que esta reunião magna do partido, que juntará 600 pessoas, poderá ter na opinião pública, uma vez que decorre num período em que haverá proibição de circulação enterre concelhos, António Costa escusou-se a discutir perceções e deixou claro que aquilo que tem de existir e existe "é a definição de regras da DGS que têm que ser respeitadas".

"Não compete ao primeiro-ministro comentar as decisões dos diferentes partidos políticos. Ao primeiro-ministro compete simplesmente respeitar o funcionamento dos diferentes partidos políticos e as opções que fazem", respondeu.

"Mesmo que o Governo quisesse, mesmo que a Assembleia da República quisesse, mesmo que o senhor Presidente da República quisesse nenhum de nós o podia fazer nos termos da lei que está em vigor desde 1986. É assim que está na lei", justificou.

O XXI Congresso Nacional do PCP vai decorrer entre sexta-feira e domingo, em Loures.

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