Rio mantém confiança política no seu secretário-geral do PSD

O líder do PSD desvaloriza a polémica em torno de José Silvano, depois da notícia de que este assinou presenças em sessões plenárias do parlamento em que esteve ausente. Mas no partido há quem critique e quem peça a sua demissão.

"Claro que mantenho a confiança política. O caso não é agradável, como é evidente, não é um caso positivo, mas acha que ter uma proposta para o país, discutir o país, debater o país pode ser anulado pelas pequenas questiúnculas que estão constantemente a surgir neste partido e nos outros partidos. Não pode ser, temos de estar um bocadinho acima disso", acentuou.

Rui Rio esclareceu que o secretário-geral do PSD já lhe explicou o que se passou e que este deverá ainda hoje "repor a verdade".

"O deputado José Silvano já me explicou o que se passou e vai fazer hoje ainda, penso eu, um direito de resposta ao jornal no sentido de que seja reposta a verdade daquilo que aconteceu. A ele lhe compete fazer isso como deputado, eu nem sequer deputado sou e, portanto, verão a explicação que ele vai dar", afirmou.

Foi o Expresso quem noticiou este fim de semana que José Silvano esteve em trabalho político pelo partido nos dias 18 e 24 de outubro, em Vila Real e Santarém, respetivamente, mas a sua presença estava registada no livro de ponto da Assembleia da República, o que deu direito a receber os 69 euros de ajudas de custo diárias para os deputados que são de círculos fora de Lisboa, como é o caso do secretário-geral do PSD. Presenças registadas que Silvano não conseguiu explicar ao jornal.

Críticas e pedido de demissão

NO PSD há quem se diga desconfortável com esta situação que envolve o secretário-geral do PSD. Luís Marques Mendes considerou que José Silvano devia pedir "desculpa" e frisou que este caso mina a "autoridade" do dirigente social-democrata.

No seu habitual comentário na SIC, o antigo líder do partido, disse que o caso reflete "três maus comportamentos"; o deputado que falta ao Parlamento "mas que simula que está presente" (dando a password do sistema de registo a outro deputado para o fazer); o de quem "se sujeita a assinalar uma presença que sabe que é falsa"; e do intuito de ganhar mais de 60 euros por dia , que disse "roça o ridiculo".

Sofia Vala Rocha, vereadora substituta do PSD na Câmara de Lisboa, escreveu no Facebook esta segunda-feira, que "da mesma forma que defendo que Teresa Leal Coelho já devia ter abandonado o lugar de vereadora de Lisboa, por indecente e má figura, só posso defender que José Silvano ou deixe o lugar secretário-geral ou deixe o Parlamento".

Recorda que há muito tempo que defende que o PSD tem de ter a regra de não poder deixar os seus eleitos deixarem as cadeiras vazias. "Disse-o e escrevi-o a propósito de Lisboa, onde a primeira eleita em Lisboa, Teresa Leal Coelho, acumula com deputada, presidente da mais importante comissão na AR, não faz o lugar, deixando o PSD em Lisboa amarrado a uns tristes 10%".

Mas sobre o caso de José Silvano é ainda mais taxativa: "Porque enquanto não houver pulso firme do PSD nestas questões, não nos damos ao respeito das pessoas. E sem respeito, na há votos, nem vitórias".

José Silvano assumiu o cargo de secretário-geral do PSD em março deste ano após a demissão de Feliciano Barreiras Duarte na sequência de notícias sobre irregularidades no percurso académico e com a morada para efeitos de cálculo de abonos das deslocações como deputado.

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