Presidente da Empordef vai dar aulas sobre corrupção e crimes económicos

João Pedro Martins é ouvido quarta-feira no Parlamento sobre as polémicas acusações que fez sobre a extinção da holding da Defesa.

O presidente da comissão liquidatária da Empordef, a holding estatal das indústrias de Defesa, integra o corpo docente de um curso de especialização avançada em investigação de crimes económicos no Porto, soube o DN.

João Pedro Martins, que é ouvido quarta-feira pela Comissão parlamentar de Defesa para esclarecer as polémicas acusações que fez sobre o processo de extinção da Empordef, vai dar aulas num curso do Instituto CRIAP - instituição académica cujo diretor científico é o reputado médico José Eduardo Pinto da Costa.

Aquele responsável escusou-se a dizer ao DN se isso significa a sua saída da Empordef ou se a holding será definitivamente extinta até abril - muitos meses após o limite legal imposto para uma decisão tomada em 2014 pelo governo PSD/CDS e confirmada no ano seguinte pelo mesmo executivo.

"Não falo" sobre a Empordef, respondeu de forma lacónica, limitando-se apenas a confirmar uma informação de agenda - que quarta-feira é ouvido sobre a empresa e a pedido do BE.

Orlando Mascarenhas, coordenador da unidade anticorrupção da PJ do Porto, vai ser o responsável científico do curso onde outro dos elementos do corpo docente é Vítor Agostinho, inspetor da Judiciária na área da cibersegurança e, desde 2018, o seu representante na Europol.

Os restantes dois elementos do corpo docente são especialistas em auditoria: Ana Sacramento e Filipe Pontes, segundo a informação disponibilizada pelo instituto.

Em dezembro passado, João Pedro Martins afirmou ao DN que a extinção da Empordef foi determinada com base em "argumentos falsos e mentiras técnicas" do governo PSD/CDS, nomeadamente sobre a alegada existência de capitais negativos nos três anos anteriores a 2014,

Isso, concluiu então, serviu para justificar a vontade política do governo PSD/CDS - onde José Pedro Aguiar-Branco era o ministro da Defesa - de fechar a Empordef, cedendo a privados as posições do Estado em algumas das empresas da holding.

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