Marcelo termina visita "muito feliz" à China. Relações bilaterais estão no "grau máximo"

O presidente da República diz-se "muito feliz" pela forma como decorreu a sua visita de Estado à China. Houve avanços em todas as frentes: na política, na economia e no ensino do português na Ásia

É um balanço feliz e muito positivo o que Marcelo Rebelo de Sousa faz da sua visita de três dias à República Popular da China. Em conferência de imprensa no Consulado-Geral de Portugal em Macau, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a visita "superou as expectativas", quer em termos globais, quer no que respeita a esta região administrativa especial.

O chefe de Estado destacou, a propósito, o memorando de entendimento que estabelece um novo patamar no plano das relações políticas bilaterais.

"Subiu-se para o grau máximo de relacionamento político possível, ao nível dos Estados Unidos da América, do Reino Unido, da França e da Alemanha, parceiros políticos num diálogo que ultrapassa a mera parceira estratégica" Portugal "coloca-se aí", realçou.

No que respeita às relações económicas, o presidente disse que houve "passos muito significativos" no fórum que decorreu em Xangai com empresários portugueses e chineses, alguns dos quais celebraram acordos.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "muitos outros foram negociados" nessa ocasião e o clima nos contactos entre empresários "não podia ser melhor, não havia uma razão de insatisfação".

"Serenamente, como é próprio do nosso relacionamento, vão sendo dados passos muito importantes, cheios de perspetivas de futuro. E por isso saio muito feliz, e comigo sai feliz o Governo e sai feliz também a delegação da Assembleia da República", declarou, no final da sua intervenção inicial nesta conferência de imprensa.

Ensino do português vai expandir-se

No âmbito da visita, foi acordado também um memorando para ampliar o ensino do português. Como declarou Marcelo rebelo de Sousa, foi "assinado um acordo que vai permitir uma antena do Instituto Português do Oriente em Pequim para o ensino do português na China continental", e já não "apenas na Região Administrativa Especial de Macau".

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou terem sido dados "passos muito concretos" num domínio que é estratégico e "portanto futuro" - a língua portuguesa e a educação -, mas também noutro domínio estratégico que é economia e finanças, numa altura em que Macau assinala os 20 anos da transferência de administração de Portugal para a China.

"É mais importante a aposta na educação, na língua portuguesa, na cultura portuguesa, no mandarim e no seu ensino em escolas portuguesas e no intercâmbio cultural porque tem efeitos de médio e longo prazo em muitas gerações, do que os muitos importantes passos dados em matéria económica e financeira" durante esta visita, disse.

Por outro lado, o chefe de Estado português sublinhou que, até final do ano, 48 universidades da China vão estar a ensinar português. Só em Macau, há 45 escolas primárias e básicas a ensinar português, lembrou.

Em Macau, houve também "razões de superação de expetativas", disse Marcelo Rebelo de Sousa, destacando como a mais importante o anúncio do Governo da região administrativa especial chinesa de que vai apoiar a expansão da Escola Portuguesa de Macau (EPM), "uma pretensão de muitos anos".

"O Governo de Macau comunicou que tem terreno, está disponível para o lançamento da primeira pedra ainda este ano, para o arranque da elaboração do projeto e para a concretização do novo polo da Escola Portuguesa de Macau", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa regressa esta quarta-feira a Portugal, após uma visita de Estado de três dias à China.

Acompanharam o Presidente da República na sua visita de Estado à China - dividida entre Pequim, Xangai e Macau - os deputados Adão Silva, do PSD, Filipe Neto Brandão, do PS, Telmo Correia, do CDS-PP, pelo líder parlamentar do PCP, João Oliveira, e por Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes".

Bloco de Esquerda e PAN optaram por não integrar a delegação parlamentar desta visita, o que justificaram com a situação dos direitos humanos e das liberdades na China.

Pela parte do Governo, integraram a sua comitiva oficial os ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

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