PR angolano: "futuro radioso" nas relações Portugal/Angola precisa de gestos de "ambas as partes"

Todas as bancadas aplaudiram de pé o discurso de João Lourenço no Parlamento. Exceto o Bloco de Esquerda, que se dividiu

João Lourenço promete que está "a construir uma nova Angola de transparência e de concorrência leal nos negócios" mas recorda a Portugal, em troca, que a relação entre os dois precisa de ser sempre" regada" e "reiterada" - e com "gestos e atitudes" que só podem ser "de ambas as partes".

Acontecendo isso, restará uma "certeza", a de que "poderemos ter um futuro comum promissor e bastante radioso", disse esta tarde o presidente angolano, na sessão solene que o recebeu na Assembleia da República. Todas as bancadas aplaudiram de pé a intervenção do chefe do Estado angolano, exceto a do Bloco de Esquerda, que se dividiu (José Manuel Pureza e Heitor de Sousa aplaudiram de pé, os restantes deputados mantiveram-se sentados, uns aplaudindo e outros não).

Ladeado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, João Lourenço reafirmou as garantias de que Angola é agora um país aberto a "uma maior presença de empresários portugueses". Porém, ao mesmo tempo, afirmou que a relação entre os dois países não se pode "resumir" a ser económica, havendo que dinamizar a cooperação nas áreas da ciência, cultura, desporto e educação.

Moralização da sociedade e economia independente do petróleo

Antes já tinha enunciado as duas grandes prioridades da sua presidência.

Por um lado, a "moralização" da sociedade angolana "em geral" e "a necessidade de combate à corrupção e impunidade" - que definiu um como "um cancro que corrói os alicerces de qualquer sociedade" - assegurando que este é um "combate da base ao topo" que está a implicar o "envolvimento de toda a sociedade civil" angolana.

Neste contexto, não se esqueceu de colocar também a questão do combate à corrupção como sendo algo economicamente vantajoso, porque torna o seu país "mais atrativo para o investimento privado", conseguindo-se com isso "aumentar a oferta de emprego". Objetivo a prazo: fazer Angola ocupar "um lugar cimeiro em África" nas questões da "transparência" e no "bem-estar da sua população".

A outra grande prioridade que enunciou foi a fazer a economia angolana menos dependente do petróleo, "diversificando" as fontes de receita para outros setor, nomeadamente a agricultura. Aqui, salientou que o setor não petrolífero já está "a exibir taxas de crescimento mais promissoras", estando Luanda ainda a negociar um acordo global com o FMI que potencie esta opção.

João Lourenço aproveitou ainda a oportunidade para pedir a Portugal que se reforçassem as partilhas "políticas, diplomáticas e parlamentares" entre os dois países, sugerindo a necessidade de "unir esforços" em questões internacionais como as das alterações climáticas, terrorismo, emigração ilegal, tráfico de pessoas e de drogas.

Deixou ainda um recado à CPLP, dizendo que esta é uma organização que tem um "caráter único e original que devia ser mais valorizado".

Falou também de política internacional, advogando as virtudes do "multilateralismo" e pedindo "contenção e bom senso" aos EUA e à Rússia, dada a "apreensão" que suscitam os "preocupantes sinais de um regresso à Guerra Fria". Pelo meio, saudou "efusivamente" os "esforços" que estão a ser feitos pelo fim do conflito na península coreana, declarando ainda que, na questão israelo-palestiniana, Angola apoia a pretensão de um Estado da Palestina autónomo.

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