Sondagens, extrema-direita, Venezuela. O que dominou o debate das europeias

O primeiro debate televisivo para as eleições europeias de 26 de maio juntou na SIC Paulo Rangel, Pedro Marques, Marisa Matias, Marinho e Pinto, Nuno Melo e João Ferreira.

A SIC transmitiu esta quarta-feira o primeiro debate televisivo entre seis cabeças de lista às eleições europeias de 26 de maio, moderado por Bento Rodrigues. Em estúdio os candidatos do PS, PSD, Bloco de Esquerda, CDS, PDR e CDU começaram por fazer uma declaração individual de um minuto e depois partiram para os temas escolhidos pelo moderador.

Na sua declaração inicial, Paulo Rangel, do PSD, destacou que "estas são as eleições europeias mais importantes da nossa história e até da história europeia". Olhando para a Europa, prosseguiu, "temos o Brexit, os populismos, o terrorismo, até o arrefecimento económico, as migrações. Em Portugal, temos degradação dos serviços públicos, temos a maior carga fiscal de sempre." Por fim, disse que o PSD tem "propostas concretas, ambiciosas e realistas, ao contrário do PS".

Seguiu-se Pedro Marques, candidato do PS, para quem as eleições europeias são uma escolha entre "a Europa da coesão, dos direitos sociais, dos trabalhadores" e a "Europa dos cortes". Em Portugal, afirmou, o PS reduziu "o desemprego para metade" e trouxe "a pobreza para o valor mais baixo de sempre. "

No minuto inicial, Marisa Matias, candidata do BE, lembrou que estas eleições "são mesmo importantes" para que se possam "defender salários, pensões". "É essa a força que precisamos", frisou. Já Marinho e Pinto, candidato do PDR, defendeu "um salário mínimo europeu, uma pensão mínima para a Europa", "um subsídio de desemprego mínimo".

Nuno Melo, cabeça de lista do CDS, acusou António Costa de "nacionalizar a campanha e o debate" e apontou falhas ao Governo, nomeadamente "na saúde e nos transportes". Já o eurodeputado João Ferreira, da CDU, disse que Portugal é "um país injusto" e que os três deputados da Coligação Democrática Unitária fizeram mais do que os restantes 18 eurodeputados.

As sondagens e a foto com Sócrates

Numa primeira parte dedicada às sondagens das eleições europeias, PS e o PSD a mostraram-se confiantes. Pedro Marques, candidato do PS, sublinhou que "o PS continua à frente em todas as sondagens", apresentando-se "com muita força" nestas eleições. A alternativa que o partido apresenta, referiu, permitiu "recuperar rendimentos, devolver as pensões que tinham sido cortadas". Por isso, acredita que o PS pode "ganhar de forma clara".

Paulo Rangel, do PSD, disse que não dá muita importância às sondagens. Em 2009, lembra, dizia-se que perdia mas acabou por ganhar. "Estamos muito confiantes quanto à vitória, porque temos a melhor lista", afirmou.

Entretanto, Nuno Melo atacou o PS mostrando uma foto de António Costa com José Sócrates e, de seguida, outra com o candidato Pedro Marques.

Voltando às sondagens, o cabeça de lista da CDU, João Ferreira, destacou o "papel determinante" da coligação na vida dos portugueses, ao impedir cortes e ataques a salários e pensões. Confrontada com o fraco resultado do BE nas últimas eleições, Marisa Matias disse estar confiante que o trabalho que o partido tem feito "justifica uma maior confiança".

Já Marinho e Pinto queixou-se de ter sido excluído dos debates televisivos. Terá um problema de credibilidade? "Há cinco anos, a maior sondagem que tive foi de 1,7% e tive o resultado que tive".

Europeias a pensar nas legislativas?

Questionado sobre se estava a preparar um assalto ao poder - como é acusado pelo PS - Paulo Rangel disse que "em eleições democráticas, ganhar não é assalto ao poder". O social-democrata afirmou, ainda, que os socialistas têm "grandes problemas com o conceito de democracia" e acusou António Costa de nacionalizar as legislativas.

"O PS está a fazer um debate sobre a Europa na justa medida em que o que fizemos aqui em Portugal foi mostrar que houve uma alternativa na política europeia, que se estende a outros países. O corte de 600 milhões nas pensões, a medida da TSU que Rangel e Nuno Melo não explicam que queriam reduzir o salário mínimo. Mostrámos que havia alternativa, reduzindo as desigualdades e recuperando os rendimentos", afirmou Pedro Marques.

Nuno Melo volta a acusar Pedro Marques de insistir "nos cortes" do Governo da direita. "Quem hoje governa foi quem entre 2006 e 2011 arruinou este país", criticou.

João Ferreira disse que "o que são os grandes problemas nacionais são tudo questões, direta ou indiretamente, tomadas ao nível da União Europeia". Em 20 anos, afirmou, Portugal foi dos países que menos cresceu.

Como se combate a abstenção de 66%?

"O grande desafio é convencer as pessoas da importância das eleições", disse Pedro Marques, destacando que as pessoas têm de perceberem que as decisões tomadas no Parlamento Europeu afetam Portugal. Por sua vez, João Ferreira considerou que "a abstenção combate-se pelo estilo de trabalho que os eleitos têm. A abstenção combate-se fazendo às pessoas sentir que as suas decisões contam".

Já Marinho e Pinto, considerou que "é o teatro na política que afasta as pessoas - é a distância das pessoas em relação aos seis eleitos". E Paulo Rangel voltou a insistir na "ideia de nacionalizar as eleições". "Se as pessoas pensam que o debate é o mesmo que o das legislativas, então porque vão votar nas duas?", questionou.

Marisa Matias, do BE, disse que para combater a abstenção é preciso "responder aos problemas concretos das pessoas", o que não tem acontecido, enquanto Nuno Melo afirmou que é o facto de o Governo atirar para a Europa a culpa dos problemas que afasta os portugueses das eleições europeias -"é europeizar os problemas do país, quando grande parte das decisões dependem do Governo".

Os fundos, a Venezuela, a Coreia do Norte

Os cortes nos fundos europeus foram outro dos temas em destaque no debate, com Marisa Matias a adiantar que o BE irá vetar o orçamento comunitário. "Portugal não pode aceitá-lo porque não defende Portugal nem os portugueses", afirma, lamentando "a falta de investimentos" no país.

"Uma coisa sabemos: os mesmos que estão a propor cortes na coesão, PSD e CDS e PS defendem um fundo para defesa de 13 mil milhões de euros", afirmou João Ferreira. E Pedro Marques garantiu lutar "para que não haja mais cortes".

De seguida, o moderador lança o tema da Venezuela. "Há muito tempo que sou crítico do regime de Chávez e de Maduro. Sempre critiquei em especial o governo de José Sócrates pela promiscuidade que teve com o regime de Chávez. [...] O Presidente da República disse, e isto preocupa-me, que haveria portugueses entre os refugiados deslocados e não temos notícia nenhuma deles", afirmou Paulo Rangel.

Já Marisa Matias, diz que não cabe ao BE eleger o presidente da Venezuela e que o partido não está do lado de Maduro nem de Guaidó. "É um erro reconhecer Guaidó. A situação na Venezuela é muito tensa. É preciso deixar espaço".

Quando o tema passa para o crescimento da extrema-direita, a bloquista disse que a responsabilidade "está nos diferentes governos que estão à frente das instituições - no bloco central" e criticou a forma como foi tratada a questão dos refugiados.

João Ferreira considerou que a ascensão dos movimentos de extrema-direita se deve "à degradação da vida das pessoas", enquanto Pedro Marques reconheceu que " as pessoas deixaram de ver resultados concretos nas suas vidas e em particular com a crise financeira agudizaram-se as desigualdades entre os países europeus". Desta forma, prosseguiu, deixam-se influenciar "extremas-direitas e nacionalistas".

Paulo Rangel, do PSD, sublinhou que "o problema não é a extrema-direita só, o problema é o fim da democracia-liberal".

Já Nuno Melo, assumiu estar muito preocupado com a extrema-direita, mas também "muito preocupado com a extrema-esquerda" no Governo português, referindo-se ao facto de o BE "pedir a morte a um presidente brasileiro que é eleito democraticamente" e a ter símbolos do Che Guevara nas suas manifestações. Perante as acusações, Marisa Matias acusou Nuno Melo de não ter sentido de humor e de fazer uma "política muito carrancuda".

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