PCP admite todos os cenários, mas promete propor melhorias "até ao fim"

"Não dizemos 'não por que não', nem 'sim pelo sim'. Será em conformidade com os conteúdos concretos daquilo que sofreu evolução positiva ou negativa que votaremos" o Orçamento do Estado, disse Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP admitiu esta sexta-feira todos os cenários quanto à votação dos comunistas no Orçamento do Estado de 2021, indicando que o documento ainda "está longe" das necessidades, mas insistiu que lutará, "até ao fim", por melhorá-lo.

"Não dizemos 'não por que não', nem 'sim pelo sim'. Será em conformidade com os conteúdos concretos daquilo que sofreu evolução positiva ou negativa que votaremos" o Orçamento, afirmou Jerónimo de Sousa numa entrevista à rádio Observador.

A pouco mais de uma semana de começarem as votações na especialidade, em que se ficará a saber o que a maioria PS aceitará das mais de 150 propostas apresentadas pelo PCP, Jerónimo de Sousa deixa todos os cenários em aberto, incluindo o "chumbo".

"Nenhuma hipótese está excluída", disse, repetindo afirmações anteriores, suas e do líder parlamentar, João Oliveira.

Apesar disso, o secretário-geral dos comunistas conduziu as respostas às perguntas feitas pelos jornalistas para um eventual cenário de entendimento, repetindo, por três vezes, aquilo que tinha dito no início do processo orçamental, ou seja, que o PCP "não desiste da luta antes de a travar".

Nas contas de Jerónimo de Sousa, a eventual viabilização, pela parte do seu partido, do Orçamento do Estado depende do "deve e haver" entre as medidas propostas pela bancada comunista forem consideradas pelo Governo e respostas como o reforço do investimento no Serviço Nacional de Saúde, serviços públicos ou a defesa de direitos e salários.

"Da nossa porta vai ser até ao fim que elas [as propostas] serão colocadas", disse.

O "exercício é claro", segundo explicou em três frases.

"Vamos travar o combate, temos uma proposta [de OE2021] que não serve", por não "responder aos problemas" do país, agravados pela crise da pandemia, argumentou.

O "produto" ou resultado final da proposta do Governo será o que ditará o voto do partido, "determinado não por arranjos políticos de circunstância, mas sempre pelos conteúdos", concluiu.

Mas se a "resposta fosse nula" relativamente às propostas do partido no orçamento, Jerónimo de Sousa admitiu que não veria "outra solução que reclamar outro orçamento que não este".

Nesse caso, garantiu, o PCP não poderia "vender gato por lebre" e "dizer que é um Orçamento que vai resolver os problemas do país".

Outra possibilidade seria viver em duodécimos, o que seria "uma solução de recurso", acrescentou.

Perante o cenário de o PCP ficar "isolado" no apoio ao Governo neste orçamento, depois de o Bloco de Esquerda ter optado pelo voto contra na generalidade, Jerónimo desdramatizou, traçando diferenças entre os dois partidos e a forma como se relaciona com o executivo.

"Nunca ficamos à espera do que os outros dizem ou vão fazer. Às vezes, dizem que o Governo se dá melhor com o PCP. Não, o que o Governo tem é de reconhecer a frontalidade e a seriedade com que o PCP apresenta as propostas. E isso exige respeito por parte do Governo. Nós não temos uma posição de catavento", afirmou ainda.

Se o BE é o "catavento", Jerónimo sorriu e afirmou que "o Bloco não precisa de promoção".

Assim como evitou secundar a acusação, feita pelo primeiro-ministro, António Costa, de que o BE "desertou" ou que tomou a opção "mais cómoda", votar contra o Orçamento, dizendo: "Não faço esse juízo de valor, foi uma opção do BE, há que respeitar e compreender."

Críticas em relação à pandemia

Outro dos temas da entrevista no programa Sob Escuta da rádio Observador foi a pandemia e Jerónimo de Sousa insistiu nas críticas à "conceção mais ou menos limitadora e repressiva" das medidas de resposta à pandemia de covid-19 adotadas neste estado de emergência, como o recolher obrigatório à noite e chegou a perguntar: "Serve para quê?"

O importante, afirmou, é o reforço de meios, financeiros e humanos, para o SNS.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1 285 160 mortos em mais de 52,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3181 pessoas dos 198 011 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

O país está em estado de emergência desde 9 de novembro e até 23 de novembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado e municípios vizinhos. Atualmente, a medida abrange 191 concelhos.

Durante a semana o recolher obrigatório tem de ser respeitado entre as 23:00 e as 05:00, enquanto nos dois fins de semana a circulação está limitada entre as 13:00 se sábado e as 05:00 de domingo e entre as 13:00 se domingo e as 05:00 de segunda-feira.

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