O PCP está disponível para governar, mas não com este PS

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, concorda com António Costa: não há condições para os dois partidos governarem coligados.

"Dá para sermos amigos mas não dá para casar..." Com esta frase, ontem à noite, em entrevista à TVI, o primeiro-ministro deixou bem claro que lhe parece impossível o Bloco de Esquerda ou o PCP virem a integrar um futuro governo por si liderado.

Esta terça-feira, comentando a entrevista, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, manifestou concordância com as palavras de Costa. Embora seja certo que "o PCP está disponível para assumir as responsabilidades que o povo lhe quiser atribuir, incluindo governativas", a verdade é que com este PS isso é muito "muito difícil".

"Reconhecemos que, com as opções que o PS faz e os compromissos a que continua amarrado, isso é muito difícil de acontecer, como, de resto, vimos em 2015. O grau de convergência que alcançamos não pode determinar um grau de compromisso diferente daquele que assumimos. Julgo que essas diferenças e divergências vão ficando também relativamente mais claras ao longo do tempo", disse, falando com jornalistas na Chamusca, à margem das jornadas parlamentares que o partido está a realizar no distrito de Santarém.

PCP quer aumento de dez euros em todas as pensões e aumentos salariais generalizados na Função Pública

Dito de outra forma: "Em muitas matérias o PS assume posições muito recuadas, opções que inviabilizam respostas a problemas estruturais do país, rompendo com a política de direita", disse. E a questão para o PCP "não é a distribuição deste ou daquele lugar, é saber que política vai o governo fazer para saber se o PCP poderia ou não integrar um governo".

Comentando as negociações em curso para o Orçamento do Estado do próximo ano (OE 2019), João Oliveira salientou que, nos aumentos das pensões e dos salários da Função Pública, o debate não é de hoje.

Aumentos salariais no Estado custam 1/40 avos do que o Estado gasta com PPP

Puxando dos galões do PCP na questão das pensões, o líder parlamentar dos comunistas recordou que, "apesar da resistência do Governo", foi por "iniciativa e proposta" do seu partido que "foi possível inscrever dois aumentos extraordinários de pensões, ainda que o Governo os tivesse recusado à partida". "Continuamos a batermo-nos por um aumento mínimo de dez euros das pensões em 2019. Essa é a solução mais adequada", explicou.

Já quanto à questão salarial dos funcionários do Estado, disse que o PCP regista "positivamente" a "evolução do Governo, que até agora tinha recusado aumentos salariais na Função Pública e agora passou a admitir". "Temos falado na necessidade de aumentos na função pública para não se acrescentarem mais quatro anos desta legislatura aos cinco anteriores de congelamento salarial."

Para o presidente do grupo parlamentar comunista, os aumentos salariais no Estado devem ser generalizados, não apenas para alguns. "Não achamos que haja uns que devem ser considerados e outros esquecidos." E deixou um enunciado: "Os valores de que se fala, de volume global, corresponderão a 1/40 avos do que pagamos por ano em PPP [parcerias público-privadas]."

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