O caso que opôs Azeredo Lopes à estrutura do Exército

A polémica sobre a não aceitação de homossexuais no Colégio Militar levou à demissão do anterior Chefe do Estado Maior do Exército, Carlos Jerónimo. O ministro pediu explicações.

O primeiro caso polémico de Azeredo Lopes foi a demissão do general Carlos Jerónimo de Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME). Na altura o chefe do Exército recusou-se a executar a "exigência feita pelo ministro da Defesa em demitir o subdiretor do Colégio Militar (CM) após este assumir a exclusão de alunos homossexuais nessa escola", segundo noticiou o DN na altura, em Abril de 2016. Na altura, o Ministério da Defesa escusou-se a confirmar ou a desmentir a informação obtida junto de fontes militares, aliás, nem o Exército.

Mas a verdade é que o desconforto começou aí. O próprio secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrelo, disse na altura que a demissão do CEME, na sequência de uma entrevista do subdiretor do Colégio Militar, tenente-coronel António Grilo, fora "uma decisão do próprio". O ministro "pedira informação ao CEME sobre o que tencionava fazer relativamente à situação."

Recorde-se que o caso do Colégio Militar começou com uma reportagem publicada pelo jornal 'online' Observador, na qual o subdiretor do Colégio Militar, tenente-coronel António Grilo, afirmara: "Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que perceba que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos".

Na altura, o Ministério da Defesa fez saber que pediu explicações ao CEME e considerou "absolutamente inaceitável qualquer situação de discriminação, seja por questões de orientação sexual ou quaisquer outras, conforme determinam a Constituição e a Lei". E o general Carlos Jerónimo rejeitou o que terá qualificado como ingerência direta na cadeia hierárquica e de comando militar do Exército.

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