Morreu o eurodeputado do PS André Bradford. Morte "terrivelmente prematura", diz o PR

O socialista estava internado em estado crítico, depois de ter sofrido episódio de síncope e paragem cardiorrespiratória em sua casa de Ponta Delgada em 8 de julho. Tinha sido eleito para o Parlamento Europeu.

Morreu esta quinta-feira o eurodeputado socialista André Bradford, que tinha sofrido um episódio de síncope e paragem cardiorrespiratória há dez dias, confirmou ao DN fonte socialista a notícia avançada pelo Açoriano Oriental.

André Bradford, de 48 anos, natural de Ponta Delgada, casado e pai de duas crianças pequenas, exerceu as funções de líder do grupo parlamentar do PS nos Açores. Tinha sido eleito para o Parlamento Europeu nas eleições europeias de 26 de maio.

Como então explicou o Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, na madrugada do dia 8 julho, Bradford teve "um episódio de síncope e paragem cardiorrespiratória" (e não um AVC, como adiantou o DN no dia). "Veio acompanhado pela SIV que lhe prestou, no domicílio e no transporte, medidas de suporte avançado de vida. Na emergência foi de imediato reanimado e ventilado, e realizados os exames complementares de diagnóstico necessários." Estava em coma desde então.

O deputado tinha sido apontado pelo Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu para as comissões da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e das Pescas e para a Delegação para as Relações com os Estados Unidos. Era membro suplente da Comissão do Desenvolvimento Regional e da Delegação para as Relações com o Canadá.

André Jorge Dionísio Bradford era licenciado em Comunicação Social e Cultural, pela Universidade Católica. Foi jornalista do DN e do Açoriano Oriental. Em 2000, iniciou funções de assessor de imprensa da Secretaria Regional do Ambiente do Governo dos Açores, assumindo depois funções de assessor político e de secretário regional. Liderava a bancada regional dos socialistas no Parlamento dos Açores até às europeias.

Manifestações de pesar

O presidente da Delegação Socialista no Parlamento Europeu, Carlos Zorrinho, emitiu entretanto uma nota em que comunicou, "com pesar", a morte do deputado. Endereçando "à família enlutada" os "sentidos pêsames", Carlos Zorrinho "manifesta a mais profunda dor e solidariedade".

"Prestamos, neste momento, a mais honrada das homenagens ao homem, ao político e deputado europeu que sempre pugnou pelos valores socialistas quer a nível regional, nacional e internacional", conclui a nota.

O Presidente da República publicou uma nota de pesar no site da Presidência dizendo ter sido com "profunda consternação e emoção" que tomou conhecimento da notícia da morte "tristemente prematura" de Bradford e enviando à família à viúva e a toda a família enlutada "as mais sentidas condolências".

"Depois de servir Portugal e a sua Região, os Açores, André Bradford tinha agora um novo desafio e a nobre missão de continuar uma carreira de serviço público no Parlamento da União Europeia. Teria certamente muito ainda para dar à sua família, amigos, à democracia e ao nosso País. Por isso, o Presidente da República lamenta profundamente, em nome de Portugal, o seu desaparecimento extemporâneo", lê-se na nota.

Esta sexta-feira será votado um voto de pesar na Assembleia da República, voto esse que será apresentado, em conjunto, por todos os deputados (do PS e do PSD) eleitos pelos Açores.

A direção nacional do PS emitiu uma nota expressando o "profundo pesar" do partido pela morte de Bradford. "Os Açores foram sempre, até ao fim, a grande causa que moveu toda a sua vida política", refere o texto socialista.

Já o PS/Açores considerou que a morte do eurodeputado "constitui uma perda irreparável" para a sua família, amigos e "todos os socialistas açorianos".

"Hoje é um dia de profunda tristeza e consternação. Partiu o nosso camarada André Bradford, um açoriano de corpo inteiro, que se dedicou apaixonadamente à causa pública e que, com a sua inteligência, cultura, perspicácia e argúcia serviu intransigentemente os Açores e os açorianos ao longo dos últimos anos", referiu, em comunicado, a estrutura regional açoriana dos socialistas.

André Bradford - diz ainda o PS dos Açores - foi um "acérrimo defensor da coesão regional, valorizando, em simultâneo, a identidade específica de cada uma" das ilhas do arquipélago, "as quais, aliás, conhecia profundamente". "Foi um paladino da democracia açoriana, um orador de excelência, para quem o confronto de ideias era fator de enriquecimento do debate público indispensável na procura das melhores soluções para o futuro dos Açores e para os desafios que os açorianos enfrentam como povo."

Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores, colocou no Facebook uma nota dizendo que recebeu a notícia da morte do eurodeputado com "grande consternação e profunda tristeza".

"Nas diversas funções políticas e executivas que assumiu ao longo de vários anos, o André Bradford imprimiu sempre à sua ação a lucidez, a inteligência e a capacidade de diálogo que permitiam construir pontes mesmo quando, por vezes, os obstáculos pareciam intransponíveis", escreveu o também líder do PS-Açores.

A morte de Bradford tem suscitado várias reações de consternação, reações essas que vão para lá das divisões político-partidárias. As estruturas regionais açorianas do PSD, Bloco e PPM também manifestaram pesar.

[notícia atualizada às 17h25 com as várias reações]

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