Ministra promete recuperar cirurgias até abril... se não houver greve

Em entrevista à Antena 1, ministra não afastou hipótese de requisição civil se enfermeiros avançarem com nova paralisação dos blocos operatórios.

A ministra da Saúde garante que todos os doentes que tiveram cirurgias adiadas em novembro e dezembro, durante a greve dos enfermeiros, podem ser operados até abril. A garantia foi deixada por Marta Temido em entrevista esta segunda-feira à Antena 1 e na prática equivale a dizer que os hospitais públicos têm de realizar mais cerca de 7700 cirurgias em três meses. Isto se os enfermeiros não voltarem à greve, alertou a ministra.

Os enfermeiros suspenderam a nova greve nos blocos operatórios que esteve prevista para começar hoje, mas só a desconvocam se forem assumidos os compromissos exigidos na reunião marcada pelo Ministério da Saúde para quinta-feira. "Se não houver greve podemos recuperar ainda no primeiro trimestre as cirurgias que foram adiadas durante a greve de 45 dias em novembro e dezembro", garantiu hoje a ministra, que acrescentou que alguns desses doentes já foram operados. Marta Temido avisou ainda que esse objetivo só é alcançável se os enfermeiros não avançarem com o mesmo tipo de paralisação. Caso isso aconteça, a ministra não afasta a hipótese de recorrer à requisição civil.

"Se não houver greve podemos recuperar ainda no primeiro trimestre as cirurgias que foram adiadas durante a greve de 45 dias em novembro e dezembro"

O Ministério da Saúde convocou os sindicatos dos enfermeiros para uma reunião na quinta-feira com membros do Governo, que era uma das condições impostas por um sindicato para suspender a greve em blocos operatórios, com início agendado para esta segunda-feira e convocada até 28 de fevereiro. "Neste momento queremos mostrar que estamos disponíveis para chegar a um entendimento. O Governo cumpriu a sua palavra. Nós, de boa-fé, mantemos a suspensão [até quinta-feira]. Se a greve acontece ou não depende dos resultados da reunião que vai acontecer", disse à Lusa a dirigente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros(ASPE) Lúcia Leite, que em conjunto com o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) integra uma das mesas negociais que com representantes do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças têm negociado a revisão da carreira de enfermagem.

Na reunião de sexta-feira, os sindicatos não conseguiram que o Governo assinasse o memorando de entendimento proposto pelas estruturas representativas dos enfermeiros, ainda que reconheçam que o executivo cedeu em algumas das exigências dos profissionais, como a criação da categoria de enfermeiro especialista e o descongelamento das progressões na carreira para todos os enfermeiros. Na entrevista à Antena 1, Marta Temido reconheceu que a criação da categoria de enfermeiro especialista não era uma prioridade no início das negociações e vai custar 21 milhões de euros ao Orçamento do Estado.

400 mil euros para financiar greve

A greve convocada segue o modelo da que já ocorreu entre 22 de novembro e 31 de dezembro e que teve origem num movimento de enfermeiros que lançou uma recolha de dinheiro numa plataforma 'online' para ajudar a financiar os colegas durante a paralisação. Na ocasião, a recolha de fundos atingiu 360 mil euros e agora os enfermeiros voltaram a atingir o objetivo financeiro para a greve que estava prevista para arrancar na segunda-feira, tendo a recolha de fundos através de uma plataforma 'online' ultrapassado os 400 mil euros pretendidos.

A greve convocada poderá afetar blocos cirúrgicos de sete centros hospitalares: os dois centros do Porto, Braga, Vila Nova de Gaia/Espinho, Entre Douro e Vouga, Tondela/Viseu e Garcia de Orta.

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