Migrantes: "Portugal deveria ter vetado acordo", defende BE

Bloco quer que Governo reforce acolhimento de imigrantes. CDS fala em "desilusão" no acordo alcançado e PSD saúda resposta conjunta

Com o pretexto de "travar a extrema-direita", a Europa "aplica a política da extrema-direita", acusou esta sexta-feira à tarde o deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza, sobre as conclusões da cimeira europeia para a criação de "plataformas de desembarque" para migrantes resgatados no mar em países terceiros.

Reagindo no Parlamento, o bloquista notou que "Portugal deveria ter vetado este acordo". "Ao não fazer, vincula Portugal a um acordo que tem na satisfação dos governos de [Viktor] Órban e [Matteo] Salvini o seu pagamento mais sórdido, atirou José Manuel Pureza, referindo-se aos governos húngaro e italiano, que têm uma política extremista contra imigrantes.

Para o BE, o Governo português só tem agora um caminho, que é o de "reforçar o acolhimento de imigrantes" e "recusar" a instalação de "campos de detenção" para migrantes em território nacional, como apelidou Pureza as referidas plataformas de desembarque.

Já o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, sublinhou que o acordo alcançado foi uma "desilusão" por a União Europeia se limitar a reanunciar princípios. "Nada parece ter mudado", insistiu.

Falando dos "centros de acolhimento" como uma "visão mais integrada" da política de migração, Nuno Magalhães rejeitou que o acordo obtido alimente a extrema-direita. Para o centrista, é a "política titubeante" de estados europeus que empurram responsabilidades uns para os outros. "Uma vergonha que temos assistido", sentenciou Magalhães.

Pelo PSD, a deputada Rubina Berardo saudou a "conclusão conjunta". Os sociais-democratas entendem que não se podem avançar com "soluções unilaterais" para um problema comum. E insistiu que o importante é "haver respostas conjuntas" pelos países europeus.

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