Marques Mendes. "É preciso pensar em grande e agir com ambição"

Dezenas de figuras políticas, do PS, de várias tendências do PSD, e militantes do CDS, estiveram esta quarta-feira presentes no lançamento do novo livro de Marques Mendes "Afirmar Portugal no Mundo", onde conta a história da RTPi. Mas também da lição que retirou do nascimento do canal de que "é preciso pensar em grande".

Nos bastidores houve quem brincasse que parecia o lançamento de uma candidatura de tanta gente que encheu esta quarta-feira a sala da sede do escritório da Abreu Advogados, em Santa Apolónia, onde Marques Mendes é advogado. Era um lançamento na verdade, mas do seu novo livro "Afirmar Portugal no Mundo", onde conta a história de como fez nascer a RTP Internacional. Um projeto que, disse, mostra que "é preciso pensar em grande e agir com ambição".

A escutar as palavras do antigo líder do PSD e conselheiro de Estado e também do selecionador nacional, Fernando Santos, que apresentou o livro, estiveram figuras como o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, o socialista Jorge Coelho, os centristas Diogo Feio e Vânia Dias e, naturalmente, muitas figuras do PSD. Os antigos ministros Eduardo Catroga, Leonor Beleza, Paula Teixeira da Cruz e Miguel Relvas, mas também autarcas como Álvaro Amaro, Almeida Henriques e Miguel Pinto Luz (um dos potenciais candidatos à liderança do PSD), o atual líder parlamentar social-democrata, Fernando Negrão, e o antecessor, Hugo Soares, e deputados como Teresa Morais, Teresa Leal Coelho, Leitão Amaro, e o vice-presidente de Rui Rio, Manuel Castro Almeida, entre outros.

E até figuras mais desaparecidas da vida política nacional como Paulo Teixeira Pinto e Miguel Macedo. A que se juntaram outras personalidades como presidente da Cruz Vermelha, Francisco George, o bastonário da Ordem dos Advogados, Guilherme Figueiredo, e o presidente da RTP, Gonçalo Reis. E o banqueiro José Maria Ricciardi.

O dia de lançamento coincidiu com o do 70.º aniversário de Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República que fez o prefácio do livro. Mas Marcelo, que não teve todo o dia agenda pública, não apareceu. Só dois dos seus assessores, Paulo Magalhães e Maria João Ruella, é que deram o ar da sua graça naquela sala apinhada. Tal como não estiveram presentes outros dois ex-Chefes de Estado que escreveram o pós-fácio da obra, Cavaco Silva e Jorge Sampaio.

"Hoje um canal internacional de televisão é completamente banal, há às centenas. Mas há 26 anos, ainda sem televisões privadas, Portugal antecipou-se à globalização"

O convite a Fernando Santos para apresentar o livro foi, segundo as palavras de Marques Mendes, o tal simbolismo da "afirmação de Portugal no mundo", ou não tivesse o selecionador nacional dado ao país o título de Campeões Europeus de Futebol. "Foi a vitória da auto-estima e do orgulho português".

Marques Mendes quis destacar a importância da RTPi junto das comunidades portuguesas, mas também o que significou para "o martirizado" Timor-Leste e para os países de expressão oficial portuguesa. "Hoje um canal internacional de televisão é completamente banal, há às centenas. Mas há 26 anos, ainda sem televisões privadas, Portugal antecipou-se à globalização", frisou o antigo ministro Adjunto de Cavaco Silva, que em 1992 fez nascer este projeto.

Mas o livro e as palavras de Mendes não se limitaram à história dos primeiros anos da RTPi. Foram também um apelo para que os canais generalistas se unam - RTP, SIC e TVI, se unam para criar algo maior como a TV Portugal. "Hoje mais do que nunca temos de voltar a esta ideia de sonho. Lá fora o que conta não é a concorrência, é a qualidade e a excelência".

A que juntou todas as "lições" que tirou para o futuro do projeto que apadrinhou. Em particular a de que sem qualidade dos decisores políticos, que tem vindo a decrescer de eleição para eleição, não há boas decisões políticas, o que pode convidar a soluções populistas.

Fernando Santos fez apelo à sua condição de treinador, muitas vezes deslocado de Portugal, para sublinhar a importância da RTPi. "Um dia fui, em 2001, fui parar à Grécia e a língua era chinês, nem o alfabeto percebia. Nos primeiros tempos fiquei muito aflitinho, mas descobri algo que era muito importante para nós, que era a RTP Internacional".

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