Marcelo em Nova Deli: "A Índia é um superpoder global"

O Presidente da República desloca-se à Índia para dar continuidade ao estreitamento de relações impulsionado pelos primeiros-ministros português, António Costa, e indiano, Narendra Modi, que fizeram visitas recíprocas nos últimos três anos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou esta sexta-feira a Nova Deli para uma visita de Estado à Índia com um programa concentrado em três dias, até domingo, entre a capital indiana, Mumbai e Goa.

O chefe de Estado, que saiu de Lisboa na quarta-feira e fez escala no Dubai, aterrou no aeroporto internacional de Nova Deli perto das 20:00 locais (14:30 em Lisboa).

À chegada, foi recebido pelo ministro indiano dos Transportes Marítimos, Mansukh Mandaviya. Depois, houve uma curta cerimónia de boas-vindas com um grupo de dançarinas tradicionais. Esta sexta-feira, em Nova Deli, o Presidente da República tem apenas um jantar privado.

Marcelo Rebelo de Sousa desloca-se à Índia para dar continuidade ao estreitamento de relações impulsionado pelos primeiros-ministros português, António Costa, e indiano, Narendra Modi, que fizeram visitas recíprocas nos últimos três anos.

À chegada, defendeu que Portugal e a Índia devem colaborar multilateralmente no desafio do combate às alterações climáticas e na promoção da paz e dos direitos humanos.

O chefe de Estado deixou esta mensagem no Palácio Presidencial, em Nova Deli, onde foi recebido pelo seu homólogo indiano, Ram Nath Kovind, no final de uma cerimónia oficial de boas-vindas com honras militares, durante a sua visita de Estado à Índia.

"Há toda uma colaboração multilateral pensando na paz, pensando no diálogo, pensando nas mais jovens gerações, no desenvolvimento sustentável, no desafio das alterações climáticas, mas também no direito internacional e nos direitos humanos", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, com Ram Nath Kovind ao seu lado.

Segundo o Presidente da República, no plano bilateral, "há um passo importante a dar" com o reforço da "cooperação económica, tecnológica, científica e cultural".

"Eu agradeço ao Presidente Kovind este convite e a forma tão calorosa, amável e tão amiga como me recebeu. E faço-o em nome de todos os portugueses", acrescentou.

O jornalista Surgir Kamari, do canal público de televisão indiano Doordarshan News, estava preparado para fazer a pergunta da praxe ao chefe de Estado convidado sobre as suas "expectativas para esta visita", mas não teve oportunidade para isso.

Ao aproximar-se do púlpito no exterior do Palácio Presidencial, Marcelo Rebelo de Sousa tomou de imediato a palavra, falando primeiro em inglês e depois em português, com a mesma mensagem.

O Presidente da República começou por assinalar que esta "é a primeira visita de Estado desde há 13 anos" e considerou que "significa uma mudança muito grande no mundo e nas relações entre os dois países".

Depois, referiu que "a Índia é um poder global, podemos dizer um superpoder, e Portugal uma plataforma entre culturas, civilizações, oceanos e continentes, e o atual secretário-geral das Nações Unidas é português".

"Isso mostra como podemos multilateralmente trabalhar pelo mundo, pela paz no mundo, pelo desenvolvimento sustentável, pelas gerações mais jovens, pelo direito internacional e pelos direitos humanos. Mas também bilateralmente vamos melhorar a nossa cooperação, economicamente, tecnologicamente, cientificamente, culturalmente", acrescentou.

Em entrevista ao jornal indiano The Times of India, publicada esta sexta-feira, Marcelo disse que as relações com a Índia serão um "ponto central" da presidência portuguesa da União Europeia.

"Quando Portugal assumir a presidência do Conselho da União Europeia (UE) no primeiro semestre de 2021 estou certo de que, como o Governo português já deixou bem claro, as relações UE/Índia serão um ponto central da agenda", declarou o chefe de Estado.

Em vésperas desta visita, entrevistado pelo canal de televisão público indiano Doordarshan News, Marcelo Rebelo de Sousa qualificou como "estrategicamente muito importante" para a UE o acordo de comércio livre com a Índia que está em negociações e prometeu que Portugal lutará por isso.

"Há acordos que vão ser celebrados", prometeu Marcelo

O Presidente da República disse que esta visita serve para abrir caminho a "avanços concretos" e manifestou-se certo de que durante esta visita os direitos humanos "não deixarão de ser reafirmados pelos dois países".

"Projetos concretos com avanços concretos. É esse o objetivo da visita", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esta sua deslocação à Índia enquadra-se "numa fase mais executiva" das relações bilaterais, "mais virada para o concreto, para a cooperação económica e financeira, para a cooperação científica e tecnológica".

"Há acordos que vão ser celebrados", salientou.

Questionado sobre a linha nacionalista hindu do Partido do Povo Indiano (BJP), a que pertencem o primeiro-ministro Narendra Modi e o Presidente da Índia, Ram Nath Kovind, e a contestação que tem gerado, o chefe de Estado começou por responder: "Eu normalmente não comento problemas da política interna dos países que visito".

"Mas no plano das relações multilaterais nós temos conjugado esforços permanentemente, a nível governamental, como a nível de chefias de Estado, para prosseguir certas perspetivas que são comuns, como seja o multilateralismo, como seja a defesa dos direitos humanos, como seja a consagração do direito internacional, como seja a afirmação do primado da dignidade das pessoas", considerou.

"Índia e Portugal, temos estado juntos na afirmação desses princípios, que não deixarão de ser reafirmados pelos dois países durante esta visita", acrescentou.

O Presidente da República recordou as visitas de Estado dos seus antecessores Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva à Índia, em 1992 e 2007, respetivamente, referindo que a primeira "correspondeu à afirmação das relações diplomáticas e do estreitamento de laços" e a segunda "foi o aprofundamento dessa cooperação", sobretudo "no plano político-diplomático".

Marcelo Rebelo de Sousa disse que "esta visita de Estado à Índia representa uma terceira fase no relacionamento entre os dois países no quadro das duas democracias", com "objetivos muito concretos", no seguimento das visitas recíprocas dos primeiros-ministros António Costa e Narendra Modi desde 2017.

"São objetivos muito focados na presença da Índia em Portugal, na economia, na sociedade e na cultura portuguesas, e na presença de Portugal também aqui na economia, na sociedade e no mundo cultural da Índia. Nesse sentido, penso que há passos que foram sendo dados nos últimos quatro anos que poderão conhecer nesta visita uma continuação, e que prosseguirá até à presidência portuguesa da União Europeia [no primeiro semestre de 2021]", adiantou.

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