Livre. Um partido "moderado" que "não é de ninguém"

Depois da tensão da manhã, a tarde do IX congresso do Livre foi dedicada à apresentação dos candidatos, mas sempre sob o espetro da relação com Joacine Katar Moreira.

Adiado o "caso Joacine", o IX congresso do Livre ocupou os trabalhos da tarde deste sábado com a apresentação dos candidatos aos órgãos do partido, do Grupo de Contacto (a direção), aos 67 nomes que se candidatam à Assembleia do partido.

A abrir esta fase de discussão, Filipe Honório, membro da lista única ao Grupo de Contacto, definiu assim o Livre: "Somos republicanos, somos feministas, antirracistas, somos libertários, viemos pela esquerda".

Para o candidato "o Livre é o partido da esquerda portuguesa que vive na moderação", embora os seus membros tenham a noção de "que é visto como um partido radical". Mas se ser radical é defender uma Europa Verde ou fim da Europa fortaleza então o Livre é um partido "radical", prosseguiu.

Sublinhando que "o Livre nasceu sob um movimento de cidadania que estava desencantada, frustrada, desiludida", e que deu depois lugar ao partido, Filipe Honório rematou: "Mas não se enganem, o movimento nunca saiu do partido". E esse movimento, acrescentou, "vai além da espuma dos dias, pensa o futuro" e "não é de ninguém".

Apresentada a candidatura do Grupo de Contacto, seguiu-se o Conselho de Jurisdição do partido, e os 67 candidatos à Assembleia, o órgão máximo entre congressos. Uma sucessão de intervenções de três minutos, com vários recandidatos, que já integram aquele organismo, a assumir que votaram a favor da resolução que propõe a retirada de confiança a Joacine Katar Moreira - que continuou a assistir ao congresso, sentada na primeira fila - e que manterão essa posição no futuro órgão caso sejam reeleitos.

Dos 67 candidatos falaram cerca de três dezenas, e se houve algumas intervenções que defenderam que ainda há caminho para fazer com Joacine Katar Moreira, nenhum candidato se colocou expressamente ao lado da deputada contra a resolução aprovada esta semana pela Assembleia do partido.

Mas ouviram-se críticas. "O Livre não pode ser o partido dos amigos de Joacine", referiu um dos candidatos, Filipe Faro da Costa. Vários dos intervenientes sublinharam que chegaram a pensar deixar o partido, face à crise instalada desde novembro e às sucessivas polémicas com a deputada única eleita pelo partido, mas para rejeitar que essa seja a resposta ao atual momento do partido. "Não sou fundador do Livre, não vou ser um dos afundadores", resumiu outro dos candidatos à Assembleia, José Araújo. Dito pela voz de outro interveniente, João Manso: "O Livre é a coisa mai'linda, vá, desde a crise".

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