Tancos: Suspeitos do roubo, "Fechaduras" e Paulino, já não vão ao parlamento

A comissão de inquérito ao furto de Tancos dispensou hoje as audições de João Paulino e Paulo Lemos - o "Fechaduras" - , arguidos no âmbito da Operação Húbris

As audições daqueles dois arguidos estavam marcadas para quarta-feira foram canceladas por proposta do CDS, que as tinha requerido. O deputado do CDS-PP Telmo Correia argumentou que o objeto da comissão de inquérito é o apuramento de "responsabilidades políticas" e a "melhoria das condições de coordenação nesta matéria" e não "matéria que choque ou colida diretamente com o inquérito criminal".

João Paulino é tido como o cabecilha do grupo está em prisão preventiva desde dezembro passado. Paulo Lemos, conhecido por "Fechaduras", por ser especialista em arrombamentos, foi quem, alegadamente, orientou o grupo de assaltantes sobre como quebrar os cadeados dos paióis.

"As audições anteriores a responsáveis da Polícia Judiciária, do Ministério Público e da Polícia Judiciária Militar levam-nos a esta posição", disse o deputado, acrescentando ter a concordância do PSD que também tinha requerido uma das audições.

João Paulino, ex-militar, surge no processo criminal como presumível autor do furto, ocorrido em 2017 e foi detido o ano passado no âmbito da Operação Húbris, que investigou indícios de que o aparecimento do material militar foi forjado em conivência com elementos da Polícia Judiciária Militar. A investigação ao aparecimento do material foi posteriormente apensa ao processo judicial sobre o furto de Tancos.

Dois arguidos à porta fechada

Na manhã desta terça-feira, foram ouvidos à porta fechada - o que acontece pela primeira vez na Comissão Parlamentar de Inquérito - dois investigadores da PJM, que são arguidos por suspeita de terem participado na alegada encenação da entrega do material, em conivência com João Paulino.

O advogado invocou "a circunstância de ambos terem sido constituídos arguidos", a necessidade da "salvaguarda de direitos fundamentais" e o facto de o processo estar em segredo de justiça. Segundo o requerimento, os dois ex-investigadores receiam que a divulgação das suas declarações "fora do âmbito da comissão de inquérito os possa colocar em risco sério de ofensa à sua integridade física".

Um destes investigadores é o major Pinto da Costa, da PJM do Porto à data dos acontecimentos. Segundo o diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves, este oficial foi quem terá desvalorizado uma informação, que a PJ lhe passou três meses antes, de que estaria a ser preparado um furto em instalações militares.

"A conclusão é que o senhor major Pinto da Costa não terá credibilizado e transmitido a informação à hierarquia", declarou Luís Neves, quando foi ouvido na comissão de inquérito, no dia 26 de março.

O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017 e o reaparecimento das armas, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, foi revelado quatro meses depois pela PJM, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos, pedida pelo CDS-PP, vai decorrer até junho de 2019, depois de o parlamento prolongar os trabalhos por mais 90 dias.

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