Sócrates pediu abertura de instrução na Operação Marquês

A defesa de José Sócrates pediu a abertura de instrução do processo Operação Marquês. A Procuradoria-Geral da República confirmou ao DN que o requerimento de abertura de instrução do ex-primeiro-ministro "deu entrada na quinta-feira, por email e fax". Mesmo no final do prazo, que acabou na terça-feira, mas podia ser estendido até ontem, mediante o pagamento de multa.

A instrução do processo corresponde a uma fase em que um juiz avalia se há provas suficientes para o caso ir a julgamento ou se é arquivado.

O ex-primeiro-ministro está acusado de 31 crimes, três de corrupção passiva, três de fraude fiscal qualificada, nove de falsificação de documentos e 16 de branqueamento de capitais.

José Sócrates junta-se, assim, a uma vasta lista de arguidos no processo Operação Marquês, que requereram a abertura de instrução ao longo desta semana.

Foi o caso de Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Carlos Santos Silva, do antigo ministro socialista Armando Vara, e a filha, Bárbara Vara, Joaquim Barroca (do Grupo Lena), Sofia Fava (ex-mulher de Sócrates), Rui Mão de Ferro (empresário e amigo de longa data de Sócrates), o advogado Gonçalo Ferreira, Hélder Bataglia (antigo homem forte do grupo ESCOM, ligado ao BES), Diogo Gaspar (antigo diretor executivo do empreendimento Vale de Lobo), José Paulo Pinto de Sousa (primo de Sócrates), a empresa Pepelan, o grupo Lena e a sociedade Vale do Lobo Resort Turístico de Luxo.

Já Ricardo Salgado não pediu a abertura de instrução, alegando não ter condições de defesa. De acordo com o requerimento do antigo homem forte do BES, divulgado pela Lusa, há "um justo impedimento para o exercício do direito de defesa", na medida em que está impossibilitado de aceder em "condições de segurança aos ficheiros das escutas telefónicas que lhe foram disponibilizados pelo próprio Ministério Público".

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