Sócrates critica Ministério Público e deputados em defesa de Manuel Pinho

O ex-primeiro-ministro critica o Ministério Público e deputados em artigo de opinião no "Expresso"

José Sócrates considera que "os procuradores desrespeitam ostensivamente a decisão de um juiz de instrução que decidiu levar a sério a sua condição de juiz de direitos" e que vê "deputados tornarem-se porta-vozes [...] das autoridades judiciais". Escreve-o num artigo de opinião publicado este sábado no "Expresso".

No artigo, com data de 20 de julho, fica claro que o ex-primeiro-ministro, acusado de 31 crimes (entre eles corrupção e branqueamento de capitais) se refere a Manuel Pinho - na sua passagem Ministério Público e pela Assembleia da República, na terça-feira - embora o seu nome nunca é referido.

Tal como não nomeia, no texto, o líder parlamentar que acusa o antigo ministro da Economia nem do líder político que expôs, "resplandecente", as suas teorias sobre justiça que, para Sócrates, se resume assim: "Se um cidadão reclama o direito a defender-se apenas depois de conhecer a acusação, já nem precisamos de ouvir mais (...), o silêncio condena-o imediatamente". Criticado também é o líder parlamentar que acusou Manuel Pinho de ser "arrogante e incorreto", quando, segundo Sócrates, "se limitou a cumprir o que combinou e a aguentar a deslealdade parlamentar".

À margem desse consenso

Segundo Sócrates, que se diz "à margem desse consenso", o que está em causa é um "Ministério Público que dirige traiçoeiramente imputações contra cidadãos através dos jornais, sem ninguém lhes exigir que provem imediatamente o que afirmam". E, sobre os deputados, "o que vejo é a indecência parlamentar da armadilha política: não só não cumprimos o que combinámos, como te criticamos porque, afinal, sabias bem onde te estavas a meter."

"Há dias em que é realmente difícil olhar o teatro político sem esboçar um esgar de rejeição", remata o texto, cujo título é, justamente, "esgar de rejeição".

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