Sem falar da greve dos motoristas Marcelo revela que já atestou o carro

De visita à Alemanha, o Presidente da República afirma que não se pronuncia sobre temas nacionais, mas acabou por dizer que já atestou o carro para as suas férias, que devem começar a 12 de agosto.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está de visita oficial à Alemanha e, por essa razão, diz que não fala sobre assuntos nacionais, como a greve dos motoristas e os serviços mínimos decretados pelo governo, mas garante que está a par do que acontece em Portugal. "Acompanho tudo o que se passa e, se for caso disso, quando estiver em território português é que poderei pronunciar-me sobre essa matéria", afirmou esta quinta-feira aos jornalistas. Ainda assim, o chefe de Estado revelou que já atestou o carro para as férias.

Questionado se pretende seguir viagem quando regressar esta sexta-feira a Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou que não está preocupado com o abastecimento de combustível para o seu automóvel. "Tenho um principio básico: quando termino uma viagem atesto o carro logo. E como acabei de vir do fim de semana em que estive com os meus netos no Algarve, atestei o carro e, portanto, estou em condições de partir naquilo que está na minha cabeça para ser o dia do começo das minhas férias, assim os diplomas o permitam, que é o dia 12, ou seja na próxima segunda-feira", assegurou. E nem mais um palavra disse relacionada com a greve dos motoristas.

As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa acontecem no segundo dia da visita oficial à Alemanha, cujo objetivo é aprofundar as relações entre os dois países a nível científico e económico.

"É preciso ponderação, para não se perder a razão"

Antes de partir para a Alemanha, o chefe de Estado pronunciou-se, no entanto, sobre o pré-aviso de greve entregue pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM), com início na próxima segunda-feira, dia 12, e por tempo indeterminado.

Na altura, o Presidente da República reconheceu o direito à greve mas disse que, "nesta, como em outras matérias, é preciso ponderação para não se perder a razão", acrescentando que a via do "diálogo e da conversação" é sempre o melhor meio para se chegar "à convergência de pontos de vista".

"É preciso ter em atenção que não basta que os fins sejam legítimos, é preciso que os meios não venham prejudicar esses fins, isso obriga a uma ponderação permanente entre aquilo que se quer realizar e satisfazer, e os sacrifícios impostos a outros membros da comunidade", afirmou. "Uma coisa é uma greve contra os patrões e o Estado e outra coisa é uma greve contra os patrões, o Estado e os portugueses", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República sustentou que "o direito à greve é um direito que a Constituição prevê e a lei prevê", mas alertou que "esse direito é um direito que, para ser eficaz, deve utilizar os meios mais adequados para que os fins tenham sucesso", sem querer comentar o caso especifico da greve dos motoristas de matérias perigosas.

Na quarta-feira, o governo decretou serviços mínimos entre os 50% e os 100%, no qual está incluído o abastecimento de combustíveis destinados aos transportes públicos, em que foram decretados serviços mínimos de 75%.

O anúncio foi feito pelo ministro do Trabalho Vieira da Silva numa conferência de imprensa conjunta dos ministros do Trabalho e do Ambiente e com o secretário de estado das Infraestruturas, onde foi distribuído o despacho de convocação dos serviços mínimos, identificados como "necessários e aconselhados" para "assegurar um clima de tranquilidade" aos cidadãos.

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