Santos Silva. Nova "geringonça" só com maior compromisso

Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que renovação da atual solução política terá de incluir acordo na política externa e europeia

A renovação da "geringonça" após as eleições legislativas de 2019 "exigirá certamente um nível de comprometimento superior àquele que se verifica neste mandato". Quem o diz é o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que em entrevista ao Público e Rádio Renascença traçaas fronteiras de um novo acordo à esquerda.

"Já não podemos fazer um acordo fundado na melhoria dos mínimos sociais, na reposição de rendimentos, porque já o fizemos. Temos todas as condições para fazer um acordo que signifique um avanço no que diz respeito a políticas estruturais que o país precisa no domínio do território, ambiente, transição energética, política económica e também na política externa e europeia", defende o responsável pela diplomacia.

Questionado sobre se este é um cenário possível - dado que as posições de BE e PCP sobre política externa são antagónicas às do PS - Augusto Santos Silva responde com um "não sei". E acrescenta que há três condições para que se concretize um novo compromisso. A primeira passa pela "avaliação que o PS fará" (e o responsável pela diplomacia acrescenta que concorda com o primeiro-ministro de que há todas as vantagens em renovar a atual situação política independentemente do resultados das próximas legislativas). A segunda depende da vontade dos outros partidos - e, neste capítulo, Santos Silva diz ter lido com especial interesse as declarações de Jerónimo de Sousa de que será impossível repetir a "geringonça", mas poderia encontrar-se outra forma. E uma terceira condição: depende da vontade do povo.

Na entrevista ao Público e Renascença, o ministro dos Negócios Estrangeiros recusa antecipar se o PS governará com maioria relativa, caso não consiga alcançar novo acordo com os partidos da esquerda - "Não é tempo de responder a essa pergunta". E também se escusa a falar em maioria absoluta: "O PS quer o melhor resultado eleitoral possível". Mas é claro na rejeição ao cenário de eleições antecipadas. "É muito importante que a atual solução política mostre que é estável e que vai completar a legislatura", argumenta o dirigente socialista, manifestando-se confiante de que o Orçamento do Estado para 2019 será aprovado no Parlamento.

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